Estudantes de MT que não têm acesso à internet recebem material pedagógico impresso

A plataforma digital Aprendizagem Conectada foi desenvolvida pela Seduc para auxiliar os estudantes durante a suspensão das aulas

Foto por: Tchélo Figueiredo - Secom/MT

Os alunos da rede estadual que não têm acesso à internet estão recebendo o material pedagógico da plataforma digital Aprendizagem Conectada impresso. A plataforma, que pode ser acessada pelo computador e dispositivos móveis, foi desenvolvida pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc) para auxiliar os estudantes na aprendizagem durante a suspensão das aulas. No entanto, quem não tem acesso a esses equipamentos e nem à internet pode procurar a escola para adquirir o material.

Conforme explica a secretária de Estado de Educação, Marioneide Kliemaschewsk, a Seduc disponibiliza as atividades semanalmente, nas diversas modalidades e áreas de conhecimento. “A plataforma oferece diferentes exercícios e atividades para os estudantes realizarem em casa enquanto houver a suspensão das aulas. Essas atividades vão complementar e auxiliar os alunos em sua aprendizagem”.

Também serão disponibilizados aos estudantes vídeos, jogos, leituras, videoaulas e uma série de atividades diversificadas para que ele possa utilizar o seu tempo de isolamento social aprendendo.

O jovem Estevão Fernandes Figueiredo, 16 anos, aluno da escola Padre Firmo, em Cuiabá, não pode acessar a plataforma porque não tem computador em casa, mas a escola já disponibilizou o material e ele consegue acompanhar todas as atividades semanais disponibilizadas para os alunos do ensino médio. “Estou muito feliz que vou poder estudar em casa e acompanhar as atividades assim como os meus colegas da escola”, disse.

A mãe de Estevão, a costureira Luzia Prado, ressaltou que o filho sempre foi muito estudioso e ela faz questão de acompanha-lo nos estudos. “Acho importante que ele tenha essa opção de estudar em casa durante esse período de quarentena. É bom porque acompanho de perto e com o material impresso ele pode optar em estudar um pouco no período da manhã e um pouco à tarde”, observou.

Segundo o diretor da escola Paulo Freire, Paulo Roberto, eles já imprimiram materiais para cerca de 150 alunos, do total de 700 que estão matriculados na unidade. “Os pais dos alunos que, por algum motivo, não conseguem ter acesso às atividades pedagógicas pelo site, podem entrar em contato com a escola e solicitar o material impresso que vamos disponibilizar a todos”, explica o diretor.

Na Escola Estadual Coronel Jerônimo Gomes da Silva, localizada no município de Araguaiana (a 563 quilômetros de Cuiabá) vários alunos também já receberam o material impresso. Segundo o diretor da escola, Wellyngton Rocha Figueira, muitos deles residem na zona rural, o que dificulta o acesso à internet. Mas a escola está prestativa em fornecer o material impresso a todos os alunos.

“Esse trabalho tem tido sucesso graças à parceria da assessoria pedagógica de Barra do Garças e de todos os profissionais da educação da escola, que estão contribuindo e ajudando de alguma forma nesse momento tão difícil que estamos passando. Acredito que não há sucesso em um projeto se não trabalharmos em equipe e é isso que estamos fazendo, unindo forças para vencer”, ressaltou.

Um dos alunos da escola que recebeu o material é Reginaldo Coutrins Soares Filho, que estuda no 9º ano. Ele tem computador em casa, mas tem dificuldade em acessar à internet. “Agradeço a escola por me dar essa oportunidade de continuar estudando e aprendendo em casa, mesmo que seja nesse período tão crítico que estamos passando”.

Segundo a Mãe de Reginaldo, dona Elza Coutrins da Silva, o garoto criou uma rotina de estudo diária, todos dias das 17h às 20h. “Ele está se saindo muito bem nas atividades e exercícios em casa.  Parabenizo a escola pelo trabalho nesse momento tão difícil e à Seduc por desenvolver esse material e permitir aos alunos a continuidade em sua aprendizagem”.

O diretor Danilo Dormevil, da escola Estadual Marechal Cândido Rondon, localizada na comunidade Coqueiral Quebó, em Nobres (a 146 quilômetros de Cuiabá), explica, que alguns alunos moram em fazendas que ficam a mais de 130 quilômetros de distância da escola, o que dificulta a comunicação com os mesmos e com os pais. No entanto, a escola buscou mecanismos para não deixar nenhum aluno sem o material.

“Identificamos que em torno de 40% do total dos 380 alunos da escola não têm computador ou internet em casa, mas com a ajuda da própria comunidade estamos conseguindo chegar até os mais distantes”.

O diretor destaca que a participação dos pais nos estudos é fundamental para o êxito e sucesso dos filhos. “A Seduc e a escola disponibilizam o material, mas independente se o aluno está na escola ou em casa, o pai deve acompanhar e cobrar do filho”.