Enfermeira adota menino com paralisia cerebral abandonado pelos pais em abrigo depois de cuidar dele por 9 meses em MT

Solange disse que a princípio decidiu cuidar dele em casa até o quadro de saúde melhor ou até ser adotado, mas depois resolveu adotá-lo — Foto: TVCA/Reprodução

Uma enfermeira de 56 anos adotou um paciente com paralisia cerebral que foi abandonado pelos pais, em 2008, quando ainda era bebê. Solange Maria Pires conheceu Ronei Gustavo Pires, agora com 12 anos, em um abrigo para crianças aptas à adoção, em Cuiabá, durante uma avaliação de home care.

Solange contou ao G1 que Ronei nasceu com uma neuropatia não evolutiva e com um quadro grave de convulsões, mas o problema se agravou por falta de cuidados necessários da família biológica durante as crises de convulsão dele.

Com pouco mais de um ano, Ronei foi diagnosticado com paralisia cerebral e passou a viver em estado vegetativo — Foto: Solange Maria Pires/ Arquivo pessoal

Com pouco mais de um ano, Ronei foi diagnosticado com paralisia cerebral e passou a viver em estado vegetativo — Foto: Solange Maria Pires/ Arquivo pessoal

Com pouco mais de um ano, Ronei também foi diagnosticado com paralisia cerebral e passou a viver em estado vegetativo. Foi nesse período que Solange o conheceu.

“Ele estava no lar, a família tinha pouco contato com ele. A juíza entrou com um pedido de home care e fiz a avaliação. Ele necessitava do serviço, mas não poderia tê-lo, pois não tinha uma casa para ficar”, contou.

Sensibilizada com a situação do paciente, Solange decidiu cuidar dele em casa até o quadro de saúde melhorar e ele ser devolvido à família biológica ou adotado por outra família.

“Fiquei 9 meses com a guarda dele. Depois disso, a família biológica disse que não tinha condições financeiras e psicológicas para cuidar dele. Foi então que o adotei definitivamente”, explicou.

A enfermeira relatou que a convivência com o menino durante o tratamento fez com que criassem um vínculo de amor e que a chegada de Ronei mudou a vida dela.

“Decidi adotá-lo por amor, senti vontade de protegê-lo. A rotina da casa gira em função dele. Quando o adotei, meus dois filhos estavam se casando, então ele passou a ser meu companheiro na casa”, ressaltou.

Atualmente, Solange vive com Ronei no Bairro Jardim União, em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá. A criança também é acompanhada diariamente por enfermeiras e uma fisioterapeuta.

Enfermeira relatou que a convivência com o menino durante o tratamento fez com que eles criassem um vínculo de amor — Foto: TVCA/Reprodução

Enfermeira relatou que a convivência com o menino durante o tratamento fez com que eles criassem um vínculo de amor — Foto: TVCA/Reprodução

Superação

Em uma consulta médica, ainda nos primeiros anos de vida de Ronei, Solange foi informada que o filho, mesmo com todos os cuidados necessários, viveria apenas 7 anos, devido às lesões neurológicas que possui, mas ele superou as expectativas.

“O quadro dele é irreversível, mas a saúde está estável. Ele já tem 12 anos e depois que passou a morar comigo nunca mais precisou ser internado. Tenho todo o cuidado com ele”, relatou.

Segundo Solange, o filho se comunica apenas com os olhos e gestos faciais. “Ele não fala, mas sente”, ressaltou.