“Empresários precisam investir mais em arte”, diz Carlos Souza

O empresário e coronel da reserva da PM, Francisco Carlos Souza, lamentou a falta de investimentos em cultura e arte no município de Rondonópolis. Reconhecido como um dos maiores incentivadores dos artistas locais, ele criticou a ausência de políticas públicas e defendeu que a iniciativa privada também amplie seu apoio ao setor.

As declarações foram feitas durante uma live do projeto ‘Tudo ao Vivo’, conduzido pelos jornalistas Lucas Perrone e Eduardo Ramos e exibida no Facebook e Youtube do site Primeira Hora .

Souza tem o hábito de patrocinar a cultura e costuma decorar seus empreendimentos com obras de artistas locais. Ele citou o escultor Mando Nunes e o crítico de artes Laudenir Antonio Gonçalves como exemplos da pujança do nosso setor cultural e lamentou a falta de apoio ao setor.




“A gente observa que o poder público ignora totalmente. Hoje temos esse projeto do Governo Federal (Lei Aldir Blanc) que ameniza a situação, mas falta muita coisa. Penso que o Poder Público municipal poderia colaborar muito mais. O próprio empresariado deveria colaborar também, prestigiar mais. São poucos que tem esta visão, a maioria acha que a vida se resume ao bussines, ao dinheiro”, ponderou

Na opinião de Souza a cidade de Rondonópolis deveria seguir o exemplo de municípios vizinhos como Campo Verde e Primavera do Leste. “Nossa cidade ganhará muito do ponto de vista estético. Mas não é só isso. O artista tem uma visão mais diferencial do mundo, é mais lúdico e mais alegre. A arte serve para muita coisa”, disse ele lembrando que a arte “trabalha com o belo, que remete ao divino” e eleva o espírito humano.

SEGURANÇA-Durante a live Souza também revelou o motivo que o fez abandonar a carreira militar. Ele disse que já estava se preparando para ingressar na vida empresarial e que a decisão foi acelerada após a morte trágica do capitão PM Luiz Carlos de Camargo e sua esposa, Ivete Bispo, em junho de 1995.

“Foi um episódio que me deixou muito chateado com a Corporação. Conseguiram chegar ao autor dos disparos e a conclusão do inquérito, graças à Polícia Civil, mas no início a própria Corporação chegou a duvidar do capitão e isso me chateou muito”, declarou.

Durante a live Carlos Souza fez uma análise da situação da Segurança Pública no país. “A sociedade evoluiu, mas o nosso Sistema de Defesa Social concebido na década de 1980 parou no tempo. Precisamos discutir um novo sistema para que a sociedade tenha mais segurança”, resumiu.

Ele ainda disse que lembra do que classificou como “Polícia Romântica” a fase em que esteve na corporação. “Era Polícia do tempo do fusquinha, do chevette e do 38”, disse.

Na live, que pode ser conferida na íntegra abaixo, Carlos Souza também conta a história da sua infância na zona rural de Rondonópolis, casos marcantes da sua carreira como militar e a sua experiência pessoal com a Covid-19.