Em balanço sobre passagem pela ALMT, deputado afirma que tentou “quatro anos em dois meses”

Henrique Lopes teve 18.300 votos no pleito eleitoral de 2018 e foi o 21º mais votado

Foto: JL Siqueira/ALMT

Prestes a encerrar o mandato temporário na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, onde atuou como parlamentar durantes dois meses, o deputado estadual Henrique Lopes ressaltou que tentou trabalhar como faria em quatro anos. Ainda durante o período, Henrique buscou avançar em pautas da educação e criação de políticas públicas para a comunidade negra, indígenas e outras minorias da sociedade.

O deputado ocupou uma das cadeiras da ALMT durante licença do deputado Valdir Barranco, que se dedicou em campanha ao Senado e de quem é primeiro suplente. Na quarta (25), data em que deve participar de sua última sessão na ALMT, o parlamentar ainda participa de uma reunião com o secretário estadual de Educação, Alan Porto, das 8h às 10h. Henrique destacou que não poderia deixar o mandato sem convocar Porto à Casa para esclarecer qual o compromisso do estado com as questões educacionais.

“Dado ao retrocesso sem precedentes que acontece em Mato Grosso, conversei com o presidente da ALMT, deputado Eduardo Botelho, para que convidássemos o secretário estadual de Educação. Fizemos um requerimento oficial de convocação, ocorre que isso precisaria ser primeiro aprovado pela Casa e depois a data seria estabelecida. Ficaria muito tarde, visto que o problema já está acontecendo”, disse.




O parlamentar ressaltou que o ataque à gestão democrática, prevista na Lei 7.040/1998, por meio da suspensão de eleição dos diretores das unidades escolares, e o fechamento de cerca de 300 escolas estaduais, Centros de Educação de Jovens e Adultos (Cejas), reorganização e extinção dos cargos dos Centros de Formação e Atualização dos Profissionais da Educação (Cefapros), alteração na estrutura das assessorias pedagógicas e não cumprimento do Plano Estadual de Educação são temas urgentes em Mato Grosso.

“Não concordamos com o fim da gestão democrática, o diretor precisa ser eleito pela comunidade escolar. É óbvio que não podemos pegar um diretor que nada tem a ver com a vivência de determinada comunidade escolar, primeiro porque educação é um processo, quem está no espaço precisa ter vivência na comunidade escolar para fazer as devidas intervenções. Não temos problemas com a prova para seleção dos diretores, mas que se respeita a decisão da comunidade através do voto. E segundo, diretor não é cargo, é uma função do professor das comunidades escolares”, explicou.

Mandato Itinerante – Durante os dois meses em que esteve na ALMT, o parlamentar optou pela itinerância e visitou mais de 35 escolas do interior de Mato Grosso. Durante o trabalho de fiscalização, Henrique recebeu ofícios com as demandas escolares que foram transformados em requerimentos.

“Como tivemos que correr para tentar apresentar quatro anos em dois meses, escolhi fazer o mandato itinerante para poder visitar o máximo possível de escolas. A demanda de problemas estruturais é muito grande. Algumas estão desabando pois não passam por reformas há mais de 40 anos. Banheiros sem condição alguma de serem utilizados, salas sem climatização, computadores sucateados, etc. Também tem a questão do desperdício de dinheiro público em obras escolares que tiveram a maior parte da estrutura erguidas, mas que nunca foram concluídas. Esses prédios que podiam receber novos alunos são depredados e saqueados constantemente”, avaliou.