Ducati Monster é bruta na medida, mas pesa no bolso

ducati monster é bruta na medida, mas pesa no bolso

Próxima de completar 3 anos de operação própria no Brasil, a Ducati segue expandindo sua linha de motos no país: a mais recente é a inédita Monster 1200. O modelo chega às lojas em duas versões: a 1200, que custa R$ 64,9 mil, e a top de linha S, vendida por R$ 73,9 mil.
Ducati Monster 1200 (Foto: Renato Durães / Divulgação)
Antes de desembarcar mercado brasileiro, o G1 rodou com a 1200 S na Itália, para avaliar o que pode ser considerada a Monster mais moderna da história. Depois, em território brasileiro, foi a vez de experimentar a Monster 1200 "básica".
A versão S é 10 cavalos mais potente do que a 1200 de entrada, apesar de manter o mesmo motor de dois cilindros e 1.198 cc.
Este bicilíndrico disposto em forma de “L” é o mesmo que equipa da linha Multistrada, mas foi retrabalhado para o segmento naked (motos sem carenagem) e, no caso da S, ficou ainda mais esportivo, chegando a 145 cavalos, enquanto atinge 135 cv na Monster 1200.
Além de contar com um pacote tecnológico de série com direito a controle de tração, ABS e mapas de potência, o modelo passa a ter refrigeração líquida no motor, que melhora o desempenho dos motores e não existia na geração anterior das Monsters. A Monster 821, que será vendida futuramente no Brasil, também contará com esse sistema de resfriamento.
Importada da Itália, a Monster 1200 até pode roubar clientes de nakeds com motores de 4 cilindros, porém, deve encontrar como principais concorrentes as também bicilíndricas BMW R NineT e a KTM 1290 Super Duke, que será lançada em breve no país.
Bruta, mas na medida
Como o próprio nome indica, a “monstra” é, por natureza, uma moto bruta e esta nova geração não esqueceu dessa tradição, pelo contrário. O motor bicilíndrico começa a funcionar melhor depois dos 3 mil giros. Assim, é necessário jogar as rotações para o alto ao rodar em baixas velocidades; caso contrário, falta linearidade, com o motor funcionando com pequenos trancos em velocidade reduzida.
Passando esta faixa de giros, o motor tem força suficiente para uma condução confortável, e dá uma “patada” quando se gira o acelerador com contundência. Seu desempenho também é mais do que suficiente para encarar trechos sinuosos de subida, além de manter velocidade de cruzeiro na estrada. Porém, em altas rotações, o conjunto vibra um pouco.
Para se adequar a cada tipo de condução e usuário, a moto possui 3 modos de pilotagem: Urban, Touring e Sport. A seleção é feita de maneira simples, apenas com um botão que fica nos controles da mão.
Além de alterar a entrega de potência, que pode ser reduzida em até 100 cavalos, eles dosam a intervenção do controle de tração (8 níveis), do ABS e o funcionamento do acelerador eletrônico. Como resultado, o motociclista pode ter desde uma Monster mais mansa, para rodar na cidade ou na chuva, até um modelo extremamente esportivo, no auge de seus 135 cv ou 145 cv, no caso da S.
Painel da Ducati Monster 1200 (Foto: Divulgação)
Conjunto é estável e, dentro da medida, confortável
Com a utilização de uma balança (parte da moto que liga o chassi à roda traseira) do tipo monobraço, a Monster demonstra estabilidade mesmo em curvas mais rápidas.
O modelo tem a esportividade necessária para o segmento, absorvendo os impactos, sem transferir "chacoalhões" ao motociclista. Isto garante o conforto, o que ainda recebe ajuda do formato anatômico do assento. Para as pernas existe o incômodo por causa do contato que há com o chassi, do tipo treliça.
Com o posicionamento do guidão de maneira alta e com certa proximidade ao tanque, a Monster não é daquelas nakeds que cansam ao pilotar por muitas horas, pois os braços não ficam esticados ou flexionados em demasia.
Em contrapartida, as pernas podem ficar flexionadas demais para os mais "altinhos", com mais de 1,80 metros, por exemplo, devido ao posicionamento recuado das pedaleiras. Para ajudar a ter o melhor alcance das pernas ao solo, o assento possui regulagem e pode ficar em 785 mm ou 810 mm.
Importada, moto ficou cara
Apesar de possuir preço similar ao de suas rivais, também importada, a linha Monster 1200 acabou ficando cara no mercado brasileiro. Para se ter uma ideia, o modelo é vendido pelo mesmo preço da Diavel, que acaba de ser renovada no Brasil, enquanto, na Europa, a Monster é cerca de 5 mil euros mais barata que a "irmã".
O motivo dessa discrepância de valores é a não nacionalização da Monster, enquanto a Diavel é Montada em Manaus. De acordo com a empresa, o motivo da escolha é a capacidade de produção no Brasil, que ficará no máximo com os modelos atuais e também outros que chegarão, como é o caso da Monster 821.
Com um conjunto acertado e instigante, a moto seria mais competitiva, caso fosse nacionalizada.
Ducati Monster 1200S (Foto: Rafael Miotto/G1)
Monster S é 'de grife'
Como já tem um preço alto por ser importada, o público que deve ser atraído pela Monster ficará mais propenso a escolher a mais cara, S. Mais do que pelos 10 cavalos "extras", os R$ 10 mil a mais, em comparação com o preço da moto de entrada, são para características como a exclusiva cor branca de chassi -a S também tem, é claro, a tradicional cor vermelha como opção.
A S tem itens de "grife". As suspensões são alta performance da marca Öhlins, com múltiplas regulagens. Ná prática, o usuário pode ajustar seu desempenho de acordo com seu uso, mas o comportamento geral é satisfatório. Os freios também são superiores, com o conjunto dianteiro herdado da esportiva 1199 Panigale e produzido pela Brembo.
Em comparação com as rivais, a Monster também oferece um pacote interessante. Seu embate principal deverá ser com a KTM 1290 Super Duke, conhecida como a naked mais potente do mercado, com 182,5 cavalos. Igualmente tecnológica, a Super Duke ainda não teve o preço revelado, mas deve ficar próxima a faixa de preço do modelo da Ducati.
Por outro lado, a BMW R Ninet é uma opção mais mansa e também com menos tecnologia – a moto alemã não traz controle de tração nem mapas de potência de funcionamento.