Duas semanas após alagamento, população ainda contabiliza prejuízos

mais de 158 mil veículos devem passar pela br-163 durante o réveillon


A enchente que alagou parte de Campo Novo do Parecis, a 397 km de Cuiabá, foi há duas semanas, mas os moradores ainda sofrem com os prejuízos provocados pelo excesso de chuva no município. Os governos estadual e federal homologaram o decreto de emergência da prefeitura, que agora aguarda liberação de dinheiro para ressarcir as perdas, calculadas em aproximadamente R$ 2 milhões, segundo a Secretaria de Cidades.

Quase duas mil famílias foram atingidas pelo alagamento e algumas delas ainda continuam recebendo atendimento da Assistência Social do município.

A água chegou a 50 centímetros na residência da dona de casa Vitorina Maciel. As marcas ainda estão na parede. E praticamente tudo se perdeu durante o alagamento. “Perdi tudo. Vocês estão vendo minha situação que está”, disse Vitorina.

A dona de casa Darcy Gonçalves ainda tenta salvar o que a água molhou. A geladeira que queimou agora tem outra utilidade: virou armário. No quarto ainda tem lama no chão. A cômoda está apodrecendo e, na sala, o móvel está em cima das cadeiras para água escoar. “Geladeira, fogão, roupa, compras. Praticamente tudo. O sofá estou tentando reaproveitar”, disse Darcy.

Em dois dias, choveu mais do que o esperado para o mês inteiro em Campo Novo do Parecis. Na casa de Francisca da Costa, que é ambulante, a água invadiu o quarto e a sala. O guarda-roupa que ela ainda nem terminou de pagar estragou e os colchões também se perderam. A madeira do rack e da porta também está apodrecendo por causa da água. Ela quase perdeu o carro também.

Os comerciantes também amargam perdas por causa da chuva. A mercearia de João de Souza também foi atingida. Com medo de um novo temporal, ele fez até barricadas para impedir um novo alagamento. O prejuízo chegou a R$ 20 mil. “De mercadoria eu perdi todo meu estoque de arroz, feijão, açúcar, papel higiênico, fralda”, contou.

Para retirar todo a água, a administração bombeou 195 mil litros de água por hora para uma área rural. As lavouras também sofreram com o temporal. As plantações ficaram debaixo d'água.

A comunidade ainda sente os reflexos da chuvarada quando o assunto é saúde. O filho da diarista Maria Claudenice Silva está com problemas na pele, por exemplo. “Ele começou a coçar e começaram a aparecer os carocinhos e começaram a estourar. E aí eu trouxe ele aqui para ele se consultar. Pediram exame até de sangue para saber como está”, disse a mãe.

Durante o temporal os chamados piscinões não conseguiram conter a água da chuva. A prefeitura e o governo do estado estudam alternativas para evitar que o problema se repita. Depois da chuvarada, o reservatório foi ampliado para evitar novos alagamentos.

“O estado disponibilizou uma equipe técnica da Secid para vir aqui. Fizeram os estudos e agora estamos aguardando o parecer técnico. Reunimos com nossa equipe técnica. Eu acredito que dentro dessa próxima semana eles tenham um parecer para passar para a gente, para a gente estudar a viabilidade financeira e das possibilidades de como nós podemos resolver isso aqui”, disse o vice-prefeito Dhemis Rezende.

A intenção é transpor a água dos piscinões para o rio Verde por meio de canais, mas ainda será feito um estudo para a viabilidade desse projeto, até para saber se isso não causará danos ao meio ambiente. A prefeitura ainda não sabe dizer o valor dessa obra.