Diretor do Shakhtar diz que procurou CBF para observar brasileiros do time

Responsável por gerenciar o Shakhtar Donetsk, o diretor-executivo do time ucraniano, Sergei Palkin, revelou que procurou a CBF para avisá-la dos brasileiros que estavam lá e poderiam servir à Seleção. Nomes como Willian, Fernandinho e Douglas Costa iniciaram a trajetória na Europa através do Shakhtar e hoje são alguns dos destaques de Chelsea, Manchester City e Bayern de Munique, respectivamente. Em entrevista publicada nesta quarta-feira pelo jornal “El Pais”, ele disse que a confederação tinha uma espécie de preconceito com o futebol no país.

Douglas Costa e Fernandinho atuaram juntos no Shakhtar (Foto: Divulgação / Shakthar Donetsk)

– Nos perguntávamos por que não eram convocados para a Seleção e eles diziam que não podiam assistir aos jogos da Liga da Ucrânia. No século XXI! Era ridículo. Para a CBF, a Ucrânia era um país impossível de se localizar, cujas façanhas esportivas nunca eram transmitidas no noticiário. Fomos nós que entramos em contato para avisá-los que tínhamos alguns jogadores realmente bons, e assim começaram a prestar atenção neles. Mesmo assim, não ficaram totalmente convencidos até que foram contratados pelo Chelsea, Bayern, City…

Sergei Palkin disse que os latino-americanos levam uma média de dois anos para se adaptarem à Ucrânia e citou o caso de Bernard. O ex-atleticano chegou ao clube em 2013, mas só nesta temporada vem conquistando o seu espaço. Taison, Wellington Nem, Eduardo da Silva, Alex Teixeira, Marlos, Dentinho, Fred, Márcio Azevedo, Ismaily são outros atletas nascidos no Brasil presentes no atual elenco comandado por romeno Mircea Lucescu.

– Contratamos Luis Gonçalves como chefe dos olheiros, que havia estado no Porto, onde criou uma rede de compra e venda de brasileiros, gerando muito dinheiro. Criamos um sistema especial de monitoramento de jogadores que ajustamos a cada mês. Porque coordenar os relatórios dos olheiros é difícil. Você não pode perder tempo negligenciando os jogadores – disse, ao explicar como encontra tantos brasileiros.

O diretor teve que coordenar a mudança de Donetsk para Kiev por conta da guerra pela qual atravessa a Ucrânia. E as dificuldades não foram poucas.

– A situação que enfrentamos é única na história do futebol. Como clube é muito difícil sobreviver e competir onde você não tem sua cidade, seus torcedores, sem seu estádio, sem o seu campo de treinamento… Honestamente, estamos muito cansados. Você pode ficar assim por alguns meses, mas não mais de um ano. Principalmente quando é impossível fazer planos, porque não sabemos quando poderemos voltar a Donetsk. Lemos as notícias e dizem que as coisas se desenvolvem de forma positiva, que há negociações. É bom que já não nos matamos uns aos outros.