Deputados ouvem em Sinop testemunhas da CPI da dos Frigoríficos

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Na tarde dessa quarta-feira (7), os deputados estaduais que compõem a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Frigoríficos realizaram a terceira reunião especial do grupo, no município de Sinop (500 quilômetros de Cuiabá). Oito testemunhas foram convocadas para prestar depoimento na condição de testemunha.

O presidente do Sindicato dos Frigoríficos de Mato Grosso (Sindifrigo), Luiz Antônio Freitas Martins foi o primeiro a depor como representante de Fátima Maria Martins Queiróz, convocada em nome da empresa Pantanal Indústria e Comércio de Carnes e que justificou ausência por motivos de saúde. A Pantanal foi uma das plantas fechadas em Matupá, logo após ser adquirida pela JBS.

“A capacidade de abate da Pantanal era de 500 cabeças ao dia, mas abatia 60% a 65% disso e nunca operou no limite total em um mês. Tínhamos cerca de 180 empregos diretos e de dois a três funcionários indiretos para cada emprego direto criado. Com o aumento no número de unidades frigoríficas, veio junto a dificuldade para manter o volume de abate e o custo fixo.

alto”, declarou Luiz Antônio, que não souber explicar o porquê da JBS comprar uma planta que operava com capacidade ociosa para depois desativar.

Luiz Antônio afirmou ainda que a indústria de carne teve um erro estratégico ao investir mais do que o rebanho de Mato Grosso. “A capacidade instalada de abate no estado é de 35 mil bois/dia. Mesmo com alguns frigoríficos fechados, tem capacidade de 24 mil cabeças.

dia, sendo que só são abatidas de 14 a 15 mil cabeças. Isso implica numa capacidade ociosa alta e custo fixo também elevado para manter a planta aberta”, argumentou o presidente do Sindifrigo.

Na condição de depoente, o prefeito de Sinop, Juarez Costa, informou que no município apenas uma indústria frigorífica está na ativa, que é a Frigobom, com capacidade de abate 600 boi ao dia, mas abate 400 bois/dia. “Hoje temos um rebanho de 47 mil cabeças. Em 2008, tivemos ofechamento de um frigorífico da Friboi e no ano passado a Vale Grande deixou de fazer abate. Agora, só trabalha na desossa de carne. Essa redução implicou em perda de 550 empregos diretos e em torno de 4,4 mil empregos indiretos, além de evasão de receitas para o município,com impacto em outros setores da economia”.

Para o presidente da CPI, deputado Ondanir Bortolini, Nininho, existem informações de que pecuaristas estão percorrendo até mil quilômetros para abater os animais. “Percorrer longos trajetos, além de impactar no preço do frete, compromete a carcaça dos animais. Os pecuaristas são os mais afetados nesse contexto, pois o preço da arroba do boi que era de 8% a 10 % a mais que em São Paulo, agora é de 15% a 20%”, pontuou Nininho.

O terceiro depoente da tarde foi Pedro Luiz Bellicanta, representante das unidades frigoríficas Nortão e Vale Grande; também representando o seu pai, Milton Bellicanta, nas questões relacionadas a Vale Grande. Na oportunidade ele destacou que a Vale, atualmente, possui três plantas em MT: uma em Sinop, que desde 2015 só faz a desossa de carne; outra em Matupá, que está ativa no abate; e a terceira em Nova Canaã do Norte, atuando com abate e desossa.

“Além disso, temos uma planta em Rondônia que está fechada. Diante das dificuldades financeiras por conta, principalmente, da capacidade ociosa da planta de Sinop, que arrendei em 2014 da minha própria família a partir da empresa Nortão. Hoje, a Nortão está parada e a unidade voltou a ser da Vale Grande”, explicou Bellicanta.

A reunião da CPI ainda está acontecendo em Sinop, e deve entrar em debate no período noturno. Os próximos a prestarem depoimentos são o produtor rural Fernando Boreti Porcal e orepresentante da Rodopa Indústria e Comércio de Alimentos, Sérgio Longo. Os parlamentares seguem para Alta Floresta nesta sexta-feira a fim de dar continuidade às oitivas da CPI dos Frigoríficos.