Demanda de usinas por milho para a produção de etanol em MT mantém preço do grão e anima produtores

Foto: Mayke Toscano/Gcom-MT



A necessidade do milho para a produção de etanol estabilizou o preço do grão e fez com que aumentasse o interesse dos agricultores em cultivar a cultura. A produtividade aumentou. Há duas décadas eram produzidas 60 sacas por hectares e, no ano passado, a média foi de 150 sacas por hectare.

Numa usina de etanol, que fica em Sorriso, é feita a moagem de 175 toneladas de milho por dia. O volume aumentou do ano passado para este ano.

Em março de 2019, antes de passar por uma ampliação, a usina utilizava diariamente 50 toneladas de milho para a fabricação do etanol.

Adriano Sorino, engenheiro da usina, diz que o avanço foi grande em um ano.

“No ano passado essa usina produzia 20 mil litros de etanol por dia e, hoje, nós estamos produzindo em média 70 mil por dia”, afirma.

Segundo a União Nacional do Etanol de Milho (Unem), Mato Grosso tem em funcionamento oito usinas de produção de etanol a partir do cereal. Duas estão em construção e há 12 projetos em andamento. Essas fábricas exigem maior quantia de produtos e, com isso, a produção de milho também será maior no estado.

De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a estimativa é que Mato Grosso tenha a safra recorde neste ano com produção acima de 32,4 milhões toneladas do grão.

Pela primeira vez, a área de cultivo do milho ultrapassou 5 milhões de hectares.

Com o apoio da pesquisa, houve uma evolução na produtividade. Na lavoura, o espaçamento entre as linhas eram de 90 cm e foi reduzido pela metade. Isso permitiu plantar mais pés por hectare.

Clayton Bortolini, engenheiro agrônomo e pesquisador, comenta que a pesquisa na área tem contribuído. “Uma pesquisa feita há 20 anos atrás, assegura que nós devemos plantar em um espaçamento reduzido com 60 mil plantas, e pesquisas feitas atualmente mostra que tem como trabalhar com 70 mil plantas, até 75 mil. Então, a pesquisa traz a informação, o produtor leva isso para dentro da propriedade, testa e vê o rendimento de produtividade”, afirma.

A média de sacas era de 60 por hectare e neste ano já são colhidas 150 sacas. Esse aumento se deu pelo melhoramento genético, com o ajuste da adubação, manejo de solo, mas, principalmente, com o manejo da planta na área.

Com o momento positivo do mercado, Romélio Gardin, que é agricultor em Sorriso, colheu 140 sacas e pretende manter a produção nessa colheita. Ele tem feito negócios melhores e com mais facilidade após as instalações das usinas na região e a procura pelo milho.

“Em tempos anteriores, talvez, eu ganharia 30% no máximo, porque não existia garantia de preços.”, afirma.

O produtor negociou a saca por R$ 23 durante as vendas antecipadas que fez no final do ano passado. Se tivesse o grão disponível para vender hoje, poderia vender por R$ 35 a saca, segundo a cotação do Imea.