Delegado Claudinei homenageia bombeiros de MT que atuaram em Brumadinho

Equipe de Mato Grosso foi a que mais atuou em campo no desastre de Brumadinho, depois dos militares de Minas Gerais; foram mais de 100 dias em buscas de corpos

Marcelo Lucas/Assessoria

Dezesseis bombeiros e 10 cães, também considerados militares pela Corporação, que estiveram por mais de 100 dias em buscas de corpos, no desastre em Brumadinho (MG), foram homenageados nesta terça-feira (3) pelo deputado estadual, Delegado Claudinei (PSL), em uma solenidade no 1º Batalhão de Bombeiros Militar de Mato Grosso.

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Até o momento, foram identificadas e confirmadas as mortes de 257 pessoas, sendo que 13 continuam desaparecidas, com o rompimento da barragem da Vale no Córrego do Feijão, em Brumadinho, que ocorreu no dia 25 de janeiro deste ano.

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“Os cães farejadores fazem um importante trabalho integrado homem/animal. Nossos bombeiros estiveram lá, auxiliando os colegas de Minas Gerais, nas buscas e resgastes de corpos para que muitas famílias e amigos pudessem velar/enterrar seus entes queridos. Esse é um dos trabalhos dos bombeiros militares e sua função. Essa é a nossa profissão na área de Segurança Pública. E eu não podia me furtar de homenagear esses valorosos bombeiros”, declarou o Delegado Claudinei durante a solenidade.

Atualmente, os cães do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso, no total de 14, são custeados pelos próprios adestradores/bombeiros responsáveis pelo tratamento e alimentação, com apoio da própria Corporação com médico veterinário e canil, da sociedade civil, por meio de instituições e empresas parceiras.

Marcelo Lucas/Assessoria

A importância do trabalho com cães farejadores é apontada em dados do próprio Corpo de Bombeiros em que um cão consegue “varrer” uma área e que para “varrer” a mesma área, com o mesmo tempo, precisariam de 20 homens.

“Fico feliz de saber, por meio do comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Alessandro, que, em 2020, ele trabalha para que haja mais recursos disponibilizados para custeio dos cães e o que vocês precisarem estaremos à disposição na Assembleia Legislativa”, completou o deputado.

Marcelo Lucas/Assessoria

Na oportunidade, o comandante-geral do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso, coronel Alessandro Borges, agradeceu as homenagens e disse que o trabalho dos bombeiros tem sido realizado de forma brilhante, tanto dentro do estado quanto fora. Segundo o coronel, a equipe de Mato Grosso, tirando a de Minas Gerais, foi a que mais tempo ficou em operação em Brumadinho, foram mais de 100 dias nas buscas dos restos mortais.

“E, como bem o deputado falou, esse trabalho dos bombeiros oportunizou aos amigos e familiares enterrarem seus entes. Recentemente, em Pontes e Lacerda, tivemos um grande feito. A nossa equipe com cães e drones resgatou com vida um idoso de 89 anos que estava desaparecido há quatro dias. O trabalho conjunto dos bombeiros e cães é um caminho sem volta, lembrando que consideramos e tratamos os cães da nossa corporação como militares”, destacou o coronel.

RELATO DE UM BOMBEIRO E SEU CÃO – Cenário de guerra. É desta forma que o major do Corpo de Bombeiros, Rafael Marcondes, descreveu quando pisou pela primeira na região de Brumadinho, dois meses após o desastre, ao lado da labradora Sheron, de sete anos e que é um dos cães farejadores mais antigos da corporação.

“Eu nunca participei de uma operação tão grande e acredito que meus colegas também se depararam pela primeira vez com um evento dessa magnitude. A princípio, foi muita apreensão, um cenário de guerra, tudo destruído. Eram só restos mortais, até corpos inteiros eram difíceis serem encontrados. Embora o clima muito pesado, o fato de conseguirmos achar algum segmento de corpo, sabíamos que algum familiar iria descansar por termos encontrado e feito o reconhecimento de mais uma pessoa desaparecida”.

Durante a operação de buscas em Brumadinho, os 16 bombeiros e 10 cães de Mato Grosso revezaram em equipes de três membros e dois cães a cada 15 dias. “Como era uma área de risco de contaminação elevada para os cães, então, fizemos esse revezamento. Desde então, todos passam por exames periódicos, mas não apresentam nem problema de saúde. Tem uma equipe da Vale que todo mês vem fazer os exames de acompanhamento e isso deve perdurar por no mínimo um três anos”.

Para o major Marcondes, que cuida da Sheron desde quando a labradora nasceu, a homenagem foi em dose dupla. “É muito bom esse reconhecimento porque todos que estão na atividade gostam e se empenham. Essa homenagem então é mais que especial, apesar de fazer parte do Corpo de Bombeiros, a Sheron é da família, e minha esposa e filhos participam da criação dela. Então, é a realização de um sonho e, ficamos orgulhosos quando vemos um filho ser reconhecido”, finaliza o major, referindo a labradora.