Criança de 9 anos foge depois de presenciar o pai ser esfaqueado e a mãe, estuprada e morta

Os assassinatos aconteceram como queima de arquivo, diz o delegado responsável pelo caso

Criança de 9 anos foge depois de presenciar o pai ser esfaqueado e a mãe, estuprada e morta
Reprodução/Campo Grande News

Um menino de apenas 9 anos foi o responsável por não deixar que três assassinatos passassem impunes na aldeia indígena Bororó, em DouradosMato Grosso do Sul. A criança presenciou o pai, Osvaldo Ferreira, de 38 anos, sendo assassinado a facadas em casa, e a mãe, Rosilene Rosa Pedro, de 28, estuprada e morta por dois homens.

Enquanto a mulher sofria golpes de faca, o menino ficou com medo de ser o próximo alvo e fugiu. Segundo o delegado responsável pelo caso, Rodolfo Daltro, ele subiu uma árvore e ficou escondido em seus galhos durante a noite toda. No dia seguinte voltou para casa, viu os corpos de seus pais no chão e correu para a escola para denunciar o caso à professora.

De acordo com o veículo Campo Grande News, que entrevistou os assassinos, identificados como Gelso de Oliveira Arévalo, de 38 anos, conhecido como Armando, e Giovani Vargas da Silva, de 18, o Quivia, os crimes teriam ocorrido como queima de arquivo.

Gelso, que arquitetou os assassinatos, seria amigo das vítimas, que presenciaram ele matando a pauladas outra pessoa, Felismar Benites Ortiz, de 28 anos, no mesmo dia, perto de um lago. Para impedir que eles o entregassem, decidiu matá-los e chamou um comparsa para ajudá-lo. “Osvaldo viu quando eu matei lá o Felismar”, disse o agressor. De acordo com ele, o primeiro assassinato aconteceu após uma discussão com a vítima por causa de dinheiro para comprar mais bebida alcoólica.

Com relação aos assassinatos de Osvaldo e Rosilene, esses aconteceram na casa das vítimas, enquanto todos assistiam TV e bebiam. “Eu achei ele [Osvaldo] na estrada e ele me convidou, me levou lá para a casa dele. Aí começamos a discutir. Ele estava bêbado, aí emprestei a biclicleta para ele duas vezes para ir comprar cachaça. Quando eu vi, ele estava bêbado e começou a me agredir. Aí eu estava armado e estava bêbado e fiz essas coisas”.

Posteriormente, contudo, Gelso confessou que matou para impedir que o casal o entregasse para a Polícia. Questionado por que ele estuprou a mulher se a motivação dos crimes era queima de arquivo, Gelso colocou a culpa na bebida. “Eu estava bêbado (…) Eu soube disso [estupro] no outro dia”, declarou.

O delegado responsável pelo caso explicou que, inicialmente, a Polícia, baseada nos primeiros relatos dos suspeitos, trabalhou com a hipótese de que o assassinato do casal aconteceu por ingestão de bebida alcoólica e discussão. Mas depois que o corpo de Felismar foi encontrado em uma lagoa muito próxima à casa de Osvaldo, e Gelson confessou ter matado o homem, houve ligação entre os crimes e concluiu-se que houve tentativa de ocultar a primeira execução.

Ainda segundo o delegado, os criminosos foram questionados se havia intenção de matar a criança. “Eles disseram: ‘não sei; na hora lá a gente ia conversar'”, relatou Rodolfo Daltro, que ressaltou a frieza dos suspeitos ao detalhar os crimes.