Covid-19 trouxe prejuízo irrecuperável para segmento de eventos em Mato Grosso

Para a representante do segmento de eventos em Mato Grosso e empresária Alcimar Moretti Coelho, os efeitos do novo coronavírus (Covid-19) foram devastadores e impactaram a vida de milhares de pessoas ligadas a esta atividade econômica.

A presidente do Sindicato das Empresas de Eventos e Afins do Estado de Mato Grosso – Sindieventos-MT – está à frente das discussões junto à Prefeitura Municipal de Cuiabá para contribuir com a retomada das atividades o quanto antes, claro que respeitando os protocolos de saúde impostas pelas autoridades sanitárias. Confira a entrevista feita pela Fecomércio-MT para o “Segmento Representado” da semana.

O segmento de eventos vinha apresentando crescimento de 10% ao ano. Devido à pandemia do novo coronavírus, o que esperar para 2020?

No que se refere a crescimento, esperamos o encurtamento do setor.  100% de eventos presenciais praticamente não acontecerão até setembro, e isso vai impactar no faturamento, pois, a maioria não estava preparada para o digital, como uma alterativa. As empresas mais estruturadas vão sobreviver com muita dificuldade, as pequenas vão fechar endividadas. Ano perdido.

Junto com o turismo, é um dos mais prejudicados com as medidas impostas pelos governantes. Quais os reflexos disso em nosso estado?

O setor de eventos emprega pessoas com pouca escolaridade e experiência, a base da pirâmide. O impacto será grande no desemprego e na baixa arrecadação de impostos sobre serviços. Além de empresas fechadas e endividadas.

As decisões tomadas por nossos governantes têm sido apropriadas até o momento?

O governo federal foi mais rápido, a parte de suspensão de dívidas e a parte trabalhista socorreu rapidamente, só precisa se estender os benefícios para o setor até dezembro.  O município paralisou, sem nenhum socorro. Após este período, será necessário muito investimento para a recuperação.

Existem segmentos reinventando formar de continuar funcionando. O que as empresas do segmento de eventos têm feito para superar tal crise?

As mais estruturadas estão investindo nos eventos on-line neste momento, isso é uma realidade, alguns tipos de eventos serão digitais, outros híbridos (digital e presencial). Teremos que repensar toda a cadeia de valor do segmento.  Acredito que os eventos presenciais terão que ser “uma grande experiência”, para atrair o participante. Vamos entrar na era dos eventos “Experienciais”.

Existem medidas de biossegurança caso o segmento volte a funcionar? Se sim, o que a entidade tem proposto? 

Existem, já fizemos um Plano de Contingenciamento para a retomada e com todos os cuidados previstos na lei. Serão 5 medidas de contingenciais, simples e funcionais e que já estão sendo usadas de maneira geral.  Assim que aprovado, vamos implantar em todos os eventos e vamos fiscalizar. Para isso, criamos um SELO de Evento Seguro – ambiente limpo e seguro.

O que esperar caso a economia seja retomada, em especial para o segmento, enquanto o país ainda ocupa posições que não contribuem para o relaxamento das medidas restritivas?

Esperamos que os benefícios para as empresas sejam estendidos até dezembro, principalmente as medidas provisórias para flexibilizar as questões trabalhistas, de suspensão dos pagamentos dos financiamentos e linhas de crédito com facilidade de acesso. Com isso teremos condições de recuperar no médio prazo. Para retomar, teremos que ser criativos e disruptivos.

Como a entidade vê o papel da Fecomércio-MT neste período de pandemia?

Fundamental, principalmente pela força política. Temos que acompanhar o que está acontecendo no legislativo, e monitorar as leis que impactam no nosso setor. Temos que ter um canal direto com o poder público pra estabelecer diálogo e trazer um bom ambiente pra investimentos e segurança jurídica a todos os empresários.

Qual o papel do dirigente sindical neste momento?

O dirigente sindical neste momento deve pensar coletivamente, analisar todas as dores do setor, buscar soluções coletivas e levar para as autoridades. É neste momento que as instituições devem mostrar pra que servem, que é defender seus associados, e o dirigente tem que estar à altura desta missão.