Com ponte destruída, alunos têm de cruzar rio para estudar em MT

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Os moradores da comunidade quilombola Baixio, no município de Barra do Bugres, a 169 km deCuiabá, estão isolados desde março deste ano, situação que tem forçado os alunos da localidade a gastarem duas horas diárias para conseguir chegar à escola.

O motivo do isolamento foi a destruição da ponte que passa sobre o rio Jauquara após fortes chuvas que caíram na região. A ponte ligava os municípios de Barra do Bugres e Porto Estrela (a 198 km da capital).
Segundo a secretária municipal de educação de Barra do Bugres, Ivone Rocha, a situação só deve ser resolvida após um acordo entre os municípios e o governo do estado.

“Depende de uma parceria com o governo do estado, até porque na região não tem madeira para reconstruir a ponte. Além, é claro, de fazer uma parceria com o município de Porto Estrela, a comunidade mais prejudicada”, disse.

De barco

Para chegar à escola, os estudantes da comunidade quilombola precisam acordar todos os dias às 5h. No começo do trajeto, eles têm que atravessar, com a ajuda de um funcionário da prefeitura, o trecho do rio onde ficava a ponte.

“Às vezes o rio está muito cheio por causa das chuvas e fica um pouco mais difícil”, contou a aluna Maria Jéssica da Gama.

Depois de descer do barco, as crianças partem para uma caminhada de um quilômetro em uma trilha aberta no meio da mata. Em alguns trechos, é preciso que eles atravessem cercas de arame farpado.

O café da manhã é tomado no meio do caminho para não se perder tempo e evitar atrasos. No total, os estudantes demoram cerca de duas horas para chegar até a escola estadual José Mariano Bueno, que funciona em parceria com o município de Barra do Bugres.

“Os outros alunos que vêm de ônibus já estão estudando quando nós chegamos. Aí nós temos que vir rápido e nem dá tempo de lanchar. Só chega e estuda”, contou a aluna Liliane da Silva Bento.

Sem a ponte, os moradores da região se viram como podem e alguns chegam a se arriscar para chegar ao outro lado do rio. Os moradores que possuem veículo, por exemplo, tentam atravessar quando as águas do estão baixas.

Ocorrida em março, essa é quinta vez em que os moradores da região se veem em dificuldades por conta da destruição da ponte ao ser levada pelas chuvas. A última estrutura tinha sido construída em 2010.