Com câncer, abandonada pelo marido após tirar mama dá à luz: ‘Salvação’

Redação PH

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Com câncer, abandonada pelo marido após tirar mama dá à luz: ‘Salvação’

Com câncer de mama, a vendedora Leidiane Corrêa, de 23 anos, deu à luz João Miguel nesta quarta-feira (14), em Cuiabá. O bebê nasceu com mais de três quilos e saudável. Ela recebeu o diagnóstico da doença há cinco meses e, depois disso, foi abandonada pelo marido após a retirada de uma mama.

Para ela, o nascimento do filho é uma recompensa por todo sofrimento. Mãe e filho estão internados no Hospital Geral Universitário, em Cuiabá, em observação. “Meu filho é, acima de tudo, uma recompensa de Deus por tudo o que passei. Ele é também minha salvação, se não fosse por ele poderia não estar aqui”, contou.

A doença foi descoberta quando ela estava no terceiro mês de gestação durante consultas no médico. O marido – com quem era casada há um ano, a abandonou três dias após a retirada de uma mama.

Sobre todas as adversidades, ela disse que não deixou se abater e seguiu de cabeça erguida. “Pedi muito a Deus para me dar força e conseguir viver”, comentou.

Leidiane ainda tem cinco sessões de quimioterapia agendadas. Ela iniciou o tratamento ainda durante a gravidez. O tratamento contra o câncer, entretanto, é agressivo e traz sofrimento tanto para a mãe quanto para o bebê. "Na hora que estava fazendo [a quimioterapia], meu nenê ia mexendo, como se quisesse sair da barriga. Parece que estava pedindo socorro", relatou.

Por causa do tratamento – que elimina o hormônio responsável pela produção de leite, e da retirada da mama, a jovem não poderá amamentar. O que também não a fez desanimar. “As pessoas foram muito generosas e doaram muitas coisas. Desde a roupa ao guarda-roupa. Muitas pessoas doaram leite em pó para recém-nascidos e sou muito grata a todos por tudo”, frisou.

O parto foi tranquilo, segundo o médico Allan Fagundes Pacheco. “Tudo ocorreu dentro do esperado. Assim que as plaquetas da mãe estiverem acima de 100 mil, eles devem ter alta”, afirmou. O recém-nascido nasceu com uma marca de família, um dedo a mais em cada mão. “A minha mãe tem, eu também nasci com dois dedos a mais e agora ele também”, disse.

Segundo Leidiane, o pai da criança nunca mais a procurou. “Não tive mais notícia dele. Mas é melhor assim. Já registrei o João Miguel e não coloquei o nome [sobrenome] dele [ex-marido], porque nem isso ele merece”, disse.

Cisto e câncer

Em julho do ano passado, Leidiane percebeu que estava com um nódulo no seio esquerdo. Exames de ultrassom constataram a alteração e foi receitado um medicamento à jovem, que recebeu ainda a recomendação para voltar ao consultório seis meses depois.

No retorno, foi feito novo ultrassom, que identificou novamente o nódulo. O mesmo remédio foi receitado para Leidiane. Após uma punção, nada de anormal foi detectado. Entretanto, após descobrir que estava grávida, foi feita biópsia e veio o diagnóstico do câncer de mama.

O nascimento do filho exatamente durante o outubro rosa, mês em que os hospitais fazem campanha para que mulheres se sensibilizem na prevenção contra o câncer, é para Leidiane um presente para as mulheres que devem estar atenta para a doença.

Leidiane Corrêa diz que bebê mexia mais durante sessões de quimioterapia (Foto: Carolina Holland/G1)

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