“Colocar servidor público como vilão, chega a ser covardia”, diz deputado

No dia do servidor público, data comemorada nacionalmente hoje (28), o deputado estadual Henrique Lopes, chama atenção para a PEC 32/2020, sobre a Reforma Administrativa, que abre brecha para cargos com indicação política, destrói o funcionalismo público e deixa o serviço público fragilizado. De acordo com ele, com o fim da estabilidade, os servidores públicos estarão sujeitos a perseguições políticas para favorecimento de desvios e outros atos de corrupção.

“A Reforma Administrativa é de interesse dos corruptos. É um grande circo, armado para tirar do povo o acesso gratuito a serviços públicos essenciais. Criou-se o discurso e a estratégia de culpar os servidores públicos pela crise e pelos gastos em excesso”, apontou.

Na tarde de hoje o deputado estadual esteve presente na carreata contra a Reforma Administrativa, que teve concentração no pátio da Assembleia Legislativa. Para Henrique, a PEC 32/2020 é uma das tantas batalhas dos servidores públicos e também da população, que está sujeita a ter serviços essenciais privatizados.




Com a Reforma Administrativa, acabam os planos de cargo e carreira, licença-prêmio, aumentos retroativos e adicional por tempo de serviço. O texto ainda prevê autorizar a redução de jornada e remuneração. O presidente da República poderá extinguir órgãos; extinguir e transformar cargos, funções e gratificações; reorganizar autarquias, fundações e atribuições de cargos do Poder Executivo.

O parlamentar ressaltou que a sociedade precisa entender qual o papel do Estado, que atualmente faz com que a população viva uma “disputa entre público e privado”.

“Alguns acham que o mercado deve regular tudo. Mas chamo atenção, inclusive, para o momento pandêmico que estamos vivendo. O papel do SUS é tão criticado, mas, se não fosse esse sistema público regulador, como ficariam os cidadãos que não têm condições financeiras? A maioria depende do SUS. Em Mato Grosso, pessoas em cargos do alto escalão, quando tiveram Covid-19 subiram em seus jatinhos. Eles têm condições financeiras para isso. Mas a maioria esmagadora da população precisa do SUS. Por isso o serviço público precisa ser estruturado e valorizado”, afirmou.

Para Henrique, de nada adianta existirem bons profissionais qualificados, se o Estado não oferecer as condições e a estrutura básica para o enfrentamento. Como acontece com o SUS, com a Educação, com a Segurança Pública e outras questões de políticas públicas.

“Infelizmente o Estado tem sido apropriado por uma pequena parcela que se beneficia da riqueza do Estado e quer colocar a sociedade contra o servidor. Quer dizer para a sociedade que quando a criança não tem bons resultados na escola pública, a culpa é do professor. Que quando uma pessoa morre nos corredores de um hospital público, a culpa é do SUS”, finalizou.