Caso Feijão pede por maior controle no mundo das apostas esportivas

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O tênis é um dos esportes que mais sofrem com a manipulação de resultados. E o Brasil teve um caso triste relacionado ao assunto: João Souza, conhecido como Feijão, foi banido do esporte pela Tennis Integrity Union (TIU).

Este não é o primeiro caso e nem o único e está relacionado à explosão de casas de apostas esportivas online pelo mundo. Mas uma confusão que é feita sobre a atividade dessas empresas e a abertura para fraudes tem certas falhas. E a melhor solução não é simplesmente proibir apostas.

Não é o primeiro caso; nem será o último

O jogo e as apostas esportivas acontecem há séculos, e mesmo antes do surgimento de casas de apostas como conhecemos hoje e até a internet, o esporte já era vítima de manipulação. O Chicago White Sox de 1919 é um dos exemplos mais conhecidos, com atletas do time de beisebol entregando as partidas da grande final e recebendo dinheiro por isso.

Infelizmente golpes e fraudes acontecem a todo momento em diversos âmbitos e isso exige maior organização, investimento em inteligência e punições severas.

Afinal, apostas podem ser feitas também na ilegalidade e a atuação desses fraudadores normalmente é feita em sites que não possuem licenças. Trazer esse mundo para a legalidade, com regras claras, é a melhor alternativa.

O que as casas de apostas online podem fazer?

Um erro comum é pensar que as casas de apostas online se beneficiam com fraudes desse tipo. Não é verdade por dois fatores. Primeiro, se a imagem de um evento esportivo é que ele é sujo, existe uma queda de confiança que resulta em um baque no interesse, patrocinadores e também apostadores. Afinal, por que alguém vai estudar e dar um palpite em algo que pode estar armado?

Segundo, as casas de apostas ganham dinheiro ao receber apostas em todos os “lados”. Exemplo: se o Flamengo enfrenta o Liverpool, é claro que o time inglês é favorito.

Por isso, uma casa como a Bet365 ao colocar uma odd – o valor que é multiplicado ao investimento -, quem apostar no clube brasileiro precisa ser recompensado pelo risco, pagando um maior retorno caso essa hipótese se confirme.

Não é bom para uma casa de aposta receber apostas em apenas um lado, porque se acontece o outro, a casa vai perder dinheiro. Se as apostas são equilibradas e as odds também, a casa ganhará dinheiro independente do que acontecer nos gramados.
Portanto é do interesse das casas de apostas promover o jogo seguro e ter a total confiança dos seus clientes.

Por isso elas investem não só em inteligência artificial mas também em ações para promover o jogo equilibrado e combater o vício em apostas.

Focando no primeiro, as casas de apostas têm controle sobre o que cada pessoa aposta e podem identificar atividades suspeitas e perfis com alta taxa de acerto.

Por exemplo, um manipulador de resultados que tem alta taxa de sucesso em torneios Challenger, que são competições de menor visibilidade e retorno financeiro para os atletas, pode ser analisado.

Mesma coisa serve para jogadores que acertam muitas apostas específicas. Um dos “trunfos” desses golpistas é que eles não precisam entregar um jogo inteiro. É possível fazer apostas em uma casa de apostas de qualidade, como a Betboo, em absolutamente tudo: quem vence tal set, quem confirma tal ponto, quantos sets terão o jogo.

Então um jogador pode entregar alguns pontos e vencer a partida depois. E fica mais difícil detectar a manipulação. Mas ainda é possível: um apostador com alta taxa de acertos em quem vencerá um game levanta suspeitas.

Solução é inteligência e organização, não proibição

Assim como em muitas outras discussões, há sempre a tendência em propor a proibição para acabar com um problema. Fazer isso é como basicamente proibir que uma criança coma açúcar: ela só ficará com mais vontade ou comerá escondido.

Investir em regras claras, trabalhar com as empresas para cruzar dados e criar uma inteligência nesse assunto e ter punições pesadas são medidas muito mais inteligentes. Os esportes, aos poucos, fazem isso, seja no tênis, ciclismo ou outros esportes que estão sob ataque.