Carne de frango: dúvidas quanto aos números do IBGE

Uma vez que, nas dimensões continentais brasileiras, parte da carne de frango consumida no País escapa a qualquer tipo de inspeção pré ou pós abate, sempre esteve naturalmente implícito que os números do IBGE relativos à produção trimestral de carne de frango não correspondem à efetiva produção nacional, visto estarem restritos ao que é abatido em estabelecimentos sob inspeção federal, estadual ou municipal.

Porém, o mais recente levantamento divulgado, referente ao primeiro trimestre de 2017, levantou indagações no setor produtivo. Pois – pela primeira vez desde que a Pesquisa Trimestral do Abate de Animais começou (1º trimestre de 1997), o resultado levantado supera os volumes totais estimados pela própria avicultura.

Assim, por exemplo, enquanto os números da APINCO – que aponta o potencial de produção do setor – indicam, para o período, volume pouco superior a 3,337 milhões de toneladas, os do IBGE (que são preliminares) revelam produção 1,21% superior e volume acima dos 3,377 milhoes de toneladas – uma diferença, a mais, de 40 mil toneladas. Há explicação para isso?




Curiosamente, constata-se haver coerência entre as duas fontes quanto ao número de cabeças abatidas. Pois, dentro do esperado, os resultados obtidos pelo IBGE continuam aquém dos levantados pela APINCO. Assim, corresponderam a 93,54%, 94,91% e 97,43% nos três períodos enfocados (respectivamente, 1º e 4º trimestres de 2016 e 1º trimestre de 2017).

Isso considerado, é natural concluir que o índice (do IBGE) superior a 100% observado na carne produzida no trimestre inicial de 2017 se deve ao aumento do peso médio por cabeça abatida. O que não é detectado nas projeções da APINCO, pois a entidade apenas projeta um potencial de produção a partir de bases fixas (média de 2,350 kg por cabeça no mercado interno; média de 1,350 kg por cabeça no frango inteiro exportado).

Mesmo isso, porém, não significa, necessariamente, que o potencial estimado esteja sendo superado. É que no abate do IBGE estão inclusos, além dos frangos, as aves descartadas dos segmentos de reprodução (avós e matrizes) e de postura comercial – o que altera, ainda que minimamente, os pesos médios registrados.

Por fim, é oportuno lembrar que os abates sob inspeção vêm crescendo dia a dia. O que ajuda a explicar, por exemplo, o aumento no número de cabeças abatidas. Sob esse aspecto, aliás – e considerando que do abate inspecionado participam também reprodutoras e poedeiras comerciais – a tendência é a de que, no futuro, os números do IBGE superem os 100% levantados pelo setor avícola.