Carne brasileira amplia mercados na Arábia Saudita e China

Presidente Jair Bolsonaro visitou os países em outubro

Planta de produção de frigorífico habilitado para exportar carne bovina à Arábia Saudita Foto: Frigorífico Maxi Beef

Em novembro, a carne brasileira ganhou mais espaço nos mercados asiático e do Oriente Médio. Treze frigoríficos foram habilitados para exportar carne bovina, suína e de aves para a China. Outros oito foram habilitados a exportar carne bovina para a Arábia Saudita.

Com isso, são 100 frigoríficos habilitados para exportar carne bovina à Arábia Saudita e 101 plantas habilitadas para exportar as carnes bovina, suína e de aves para a China, de acordo com o ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

O secretário-adjunto de Comércio e Relações Internacionais do ministério, Flávio Bettarello, disse que o trabalho do governo para abrir mercados aos produtos brasileiros aliado à competência dos produtores em atender às exigências técnicas desses países permitiram a expansão.

“São mercados em que já temos uma presença, já nos conhecem, apreciam muito nossos produtos, a qualidade e a sanidade. Por isso, podemos fazer essa parceria estratégica para ampliar o número de estabelecimentos que podem ter acesso a esses mercados”, observou Bettarello.

No mês de outubro, em visita à Arábia Saudita e China, o presidente Jair Bolsonaro discutiu questões comerciais com autoridades locais. A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, já esteve duas vezes na China neste ano, e em setembro, visitou a Arábia Saudita, negociando a ampliação de mercados para produtos agropecuários brasileiros.

Na avaliação de Flávio Bettarello, as articulações do governo brasileiro contribuíram para mostrar a qualidade dos produtos e o cumprimento das regras sanitárias e técnicas. “Tanto a visita da ministra Tereza Cristina quanto a do presidente Bolsonaro foram importantíssimas e fundamentais para que essa relação estratégica de segurança alimentar, abastecimento e intercâmbio comercial seja mantida e aprofundada”, disse.

Ele destacou o apoio do governo nessa abertura de novos mercados. “É muito importante para nossa economia e a expectativa do agronegócio é que a gente possa ter cada vez mais melhores resultados”, concluiu.

Arábia Saudita

Em 2018, as exportações de produtos agropecuários brasileiros para a Arábia Saudita renderam US$ 1,7 bilhão. Foram mais de 2,9 milhões de toneladas, de acordo com o Ministério da Agricultura.

Para que sejam habilitados a exportar carne para a Arábia Saudita, além dos requisitos sanitários e técnicos, os frigoríficos devem seguir uma técnica diferenciada para o abate, que leva em conta preceitos islâmicos, conhecidos como Halal.

A médica veterinária e coordenadora de qualidade do Grupo Supremo Carnes, Luísa De Marco Amaral, explica que, para garantir a exportação das carnes, as regras do Halal são seguidas e fiscalizadas pela Federação das Associações Muçulmanas do Brasil. “A metodologia de abate Halal requer que os animais sejam mortos de acordo com o ritual islâmico, por muçulmano mentalmente sadio, que entenda, totalmente, o fundamento das regras e das condições relacionadas ao abate de animais no Islam”, explicou. No abate que segue o Halal, o animal deve ser morto por degola e a face voltada para a cidade sagrada de Meca.

Já ao Ministério da Agricultura cabe a fiscalização sanitária que envolve toda a cadeia produtiva, desde o manejo dos animais nas fazendas até o direcionamento dos produtos ao seu destino.

China

A habilitação chinesa envolve cinco plantas de carne bovina, cinco de suínos e três de aves. O secretário Flávio Bettarello destacou que a participação do Brasil no mercado chinês é expressiva, citando o dado de que o país asiático absorve 23% do total de carnes de bovinos, aves e suínos exportadas pelo Brasil.

Bettarello ressaltou ainda o potencial de ampliação do comércio com a China de produtos do agronegócio, setor em que o Brasil é competitivo. “Dos nove acordos assinados com a China durante a visita do presidente Xi Jinping, três acordos foram do agronegócio, o que mostra a importância que esse setor tem na dinâmica das relações bilaterais”, explicou o secretário ao se referir a vinda do presidente chinês ao Brasil para participar da Décima Primeira Reunião de Cúpula do BRICS [grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul], que ocorreu entre os dias 13 e 14 de novembro em Brasília (DF).