Brasil pode acabar com dependência de IFA da China com uso de laboratórios do agro

Proposta do senador Wellington Fagundes, já aprovada no Senado, deve ser avaliada na semana que vem pela Câmara dos Deputados

Sumaia Villela/Agência Brasil

“O Brasil tem tecnologia e pode produzir 100% da vacina sem depender da China, Índia ou outros países”. A afirmação foi feita pelo senador Wellington Fagundes (PL-MT), relator da Comissão Temporária do Senado, ao comentar a paralisação de envasamento de vacinas pelo Instituto Butantan por falta do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), importado da China. Esse fato, segundo ele, mostra a necessidade de acelerar os protocolos de produção própria da vacina, a partir dos laboratórios de saúde animal.

Fagundes é autor do Projeto de Lei 1343/2021, que autoriza a produção do ingrediente farmacêutico ativo (IFA) para vacinas contra Covid-19 em parques industriais veterinários. O projeto já foi aprovado pelo Senado e deverá ser votado na semana que vem pela Câmara dos Deputados, antes de ir à sanção presidencial.

“Isso é interesse da sociedade brasileira. Afinal de contas, mais de 400 mil pessoas já morreram” – frisou o senador.




A par questões diplomáticas, o acontecimento envolvendo o Instituto Butantan “mostra que precisamos avançar na proposta de uso dos laboratórios de saúde animal, que podem produzir a vacina com total biossegurança e qualidade”. O parlamentar lembrou que o Brasil, até hoje, não produziu sequer uma dose da vacina contra o coronavírus. O Instituto Butantan e a Fiocruz recebem o IFA já pronto e apenas envasam o insumo.

Em entrevista esta semana à Rádio Jovem Pan, o senador mato-grossense enfatizou que essas fábricas ligadas ao Sindicato das Indústrias de Saúde Animal  têm total capacidade de suprir a demanda brasileira com toda a biossegurança possível, sem necessidade de adaptação porque já produzem vacina de vírus inativado há anos.

A capacidade de produção delas é de até 400 milhões de doses em apenas 90 dias.  Essas plantas industriais são certificadas pelo Ministério da Agricultura e estão sob inspeção da própria Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Aqui temos tecnologia toda brasileira para fabricar o IFA completamente. Só precisamos da transferência da célula-mãe, que é multiplicada em bilhões. A produção de vacinas seria desde o insumo”, explicou. Segundo ele, pelo Brasil ser o maior exportador de proteína animal do mundo, isso torna a fiscalização muito mais exigente e rigorosa.

O relator da CT Covid-19 destacou que não há risco de faltar vacinas para os animais, já que toda produção do imunizante contra febre aftosa já foi feita. Ele ressaltou que existem hoje 22 fábricas veterinárias e apenas três seriam destinadas à produção da vacina contra a Covid-19.

“As indústrias se colocam à disposição como ajuda humanitária. O Brasil não tem onde buscar vacina, atrasou muito. E essa doença não vai ser só neste ano, por isso a necessidade de produzir aqui” – acrescentou.