Black Friday impulsiona contratações temporárias e expectativas do comércio para o final de ano em Rondonópolis

Rovena Rosa/Agência Brasil

O comércio em Rondonópolis se prepara para mais uma edição da Black Friday, data que se tornou importante aliada do setor e que mais uma vez chega para alavancar as expectativas em vendas para o final do ano. Marcada para a próxima sexta-feira (27), a edição 2020 da festa impulsionou, desde a segunda semana deste mês, o período de contratações temporárias. No rumo da retomada econômica, a aposta dos lojistas é recompor o quadro de colaboradores e se equipar para gerar bons negócios.

Afetado pela pandemia no município, o comércio precisou cortar. De forma gradativa, porém, vem acumulando saldos positivos e confirmando as projeções de crescimento, especialmente em datas comemorativas. A exemplo, no feriado de 12 de outubro, segmentos como o de vestuário apresentaram melhora significativa de 5% na comparação com o mesmo período em 2019. Em tempos de coronavírus, o número foi comemorado.

“Nossa esperança é a de que cada rondonopolitano consiga engrenar na retomada econômica ainda nesta reta final de 2020, com datas importantes que movimentam os negócios e geram emprego e renda. Ao longo dos anos, a Black Friday vem se mostrando fundamental para os negócios em nível local, data em que muita gente aproveitar, inclusive, para antecipar as compras de Natal”, analisa o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Rondonópolis (CDL), Thiago Sperança.




Contratações temporárias

Boa parte dos lojistas rondonopolitanos iniciou o mês de novembro abrindo vagas para recompor o quadro de colaboradores desfeito pela pandemia. Em uma pesquisa informal, a CDL de Rondonópolis ouviu empresários dos mais diversos setores e constatou: na contramão das adversidades e confiante na retomada econômica, no comércio local houve contratações temporárias.

Em média, de 7 a até 20 novos colaboradores dentro das empresas para esta reta final de 2020. Boa parte iniciada no último dia 17, os contratos seguem com duração até o dia 30 de dezembro. Parte destes novos funcionários no chamado regime de freelancer, outros com contratos diferenciados. Em ambos os casos, a efetivação após o término do prazo pode se concretizar se os números continuarem subindo. “Bom momento para oportunizar este cenário de melhora. No comércio, a primeira parcela do 13º deverá fazer a economia girar. Além disso, as pessoas estão retomando a confiança, dispostas a aproveitar bons descontos. O resultado imediato desta soma é a geração ou recuperação dos empregos perdidos”, completa Sperança.

Nacional

Se os varejistas esperam aumentar as vendas durante a campanha, os consumidores parecem estar ávidos pelas promoções. É o que mostra a pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), em parceria com a Offer Wise Soluções em Pesquisa. Segundo o estudo, 61% dos entrevistados afirmam que pretendem fazer compras na Black Friday esse ano, um crescimento de 24% em relação ao ano passado.

Considerando apenas os consumidores que farão compras na Black Friday, 63% justificam dizendo que este é um momento oportuno para comprar produtos que estão precisando com preços mais baixos, ao mesmo tempo, 37% afirmam que irão aproveitar para antecipar as compras dos presentes de Natal em promoção. Por outro lado, entre os que não farão compras, 24% alegam estar sem dinheiro, enquanto 20% estão desempregados.

A expectativa de aumento das vendas também aparece na pesquisa. Um terço daqueles que estão dispostos a comprar na Black Friday afirmam que pretendem adquirir mais produtos que em 2019 (34%), ao passo em que 29% querem comprar um número menor de itens e 23% a mesma quantidade.

Mesmo assim, a pesquisa mostra que o consumidor está cauteloso, uma vez que 36% pretendem gastar menos este ano, enquanto 29% irão desembolsar o mesmo valor e 27% planejam gastar mais.

Considerando aqueles que pretendem aumentar os gastos na edição de 2020, 35% justificam dizendo que economizaram ao longo do ano para isso, enquanto 25% afirmam terem mais itens para comprar este ano. Em contrapartida, os consumidores que pretendem diminuir os gastos querem, sobretudo, economizar (48%), estão com orçamento apertado (26%) e têm a intenção de evitar dívidas (26%).

Roupas, calçados e smartphones serão os itens mais procurados. Média de gastos será de R$ 918

A pesquisa mostra que os consumidores têm a intenção de adquirir 3,3 produtos. Cada consumidor deve gastar, em média, R$ 918,23 com as compras durante a promoção, valor que aumenta para R$ 1.168,91 entre as classes A/B. Os produtos mais procurados serão as roupas (42%), os calçados (31%), os smartphones (22%), os eletrodomésticos (22%) e eletrônicos (20%).

Considerando a principal forma de pagamento a ser utilizada, 82% dos entrevistados pagarão as compras da Black Friday à vista, principalmente em dinheiro (45%) e no cartão de débito (34%). Por outro lado, 47% devem parcelar suas compras, principalmente no cartão de crédito (41%). A média é de praticamente seis prestações (5,7), o que significa que essas pessoas estarão pagando as compras da Black Friday até maio de 2021.

A pesquisa também investigou os locais que os consumidores devem fazer as compras. As lojas online (83%) mantêm a preferência dos consumidores, sobretudo nos sites/aplicativos de varejistas nacionais (57%) e nos sites/aplicativos de compra e venda de produtos novos e usados (33%). Apesar do destaque no meio online, uma parcela considerável dos entrevistados afirma que vai comprar em lojas físicas (47%), especialmente no shopping center (29%) e nas lojas de rua (23%).

A experiência de compra do consumidor na Black Friday de anos anteriores pode ser determinante para a escolha do local em que farão suas aquisições em 2020, já que 44% dos entrevistados afirmam que irão escolher estabelecimentos nos quais já tenham se sentido satisfeitos, sejam eles físicos ou online, enquanto 36% pretendem optar por fazer pesquisas pelas lojas de menor preço, 35% privilegiam aqueles que oferecerem frete grátis e 31% os locais que oferecerem descontos significativos no pagamento à vista ou no boleto, além dos descontos já oferecidos durante a Black Friday.

Metade daqueles que irão adquirir produtos nesta edição do evento pretendem fazer as compras na semana da Black Friday (54%), ao passo em que 22% preferem o dia da Black Friday.

90% dos consumidores irão pesquisar preços

O consumidor brasileiro está cada vez mais habituado com a Black Friday e disposto a adotar estratégias para conseguir os melhores preços, uma vez que 90% garantem que farão pesquisa de preços antes de comprar, principalmente a fim de confirmar se os produtos realmente estão na promoção (55%).

A busca de informações será feita sobretudo nos sites e aplicativos das lojas em que costumam comprar (54%), além dos sites e aplicativos especializados que fazem a comparação do preço dos produtos (52%), em sites de busca (36%) e nos shopping centers (23%).

Ao lado disso, 93% costumam buscar dicas e informações para fazer boas compras na Black Friday, sendo que 84% fazem isso pela internet e 22% pela TV. A pesquisa mostra que 85% costumam buscar informações sobre a reputação das lojas antes das compras, principalmente em sites de reclamação (54%), nas redes sociais (51%) e no Procon (15%).

“O consumidor está cada vez mais habituado à Black Friday e sabe que pesquisar os preços continua sendo fundamental para garantir boas compras”, diz o presidente da CNDL. “Ao mesmo tempo, o comércio sabe que uma boa experiência de compra é indispensável para manter o consumidor fiel. Nesse momento, em que as vendas online crescem a cada dia, a reputação das lojas é fator primordial”, analisa.

Com o intuito de aproveitar a oportunidade do evento e garantir os itens a serem adquiridos, 12% dos consumidores pretendem madrugar na porta das lojas físicas para garantir as compras, enquanto 41% pretendem passar a madrugada conectados na web com este objetivo, e 65% dos que trabalham pretendem se manter conectados na internet durante o expediente para se inteirar das ofertas.

Expectativa é de desconto médio de 43% nos produtos ofertados

A expectativa dos consumidores quanto às possibilidades de realizar compras a preços competitivos é expressiva: o desconto médio esperado durante o evento é de 43%, sugerindo que as pessoas buscam na Black Friday uma oportunidade única para pagar bem menos na aquisição de produtos e serviços.

De olho nos menores preços, quase oito em cada dez consumidores ouvidos estão evitando realizar algum tipo de compra em outubro e novembro para aproveitar a Black Friday (77%), sendo que 19% mencionam as roupas, calçados e acessórios, 18% os eletrodomésticos e 17% os celulares/smartphones.

Para 84% dos que aproveitaram a promoção em 2019, compras na Black Friday valeram a pena. Nota de satisfação com o evento sobe para 8,16

Questionados sobre a experiência com a Black Friday 2019, oito em cada dez participantes que compraram na última edição julgam que valeu a pena comprar na Black Friday do ano passado (84%). Número bem parecido daqueles que não enfrentaram problemas nas compras realizadas durante a promoção (81%).

Considerando o nível de satisfação com a Black Friday em 2019, numa escala de um a dez, a nota média dada pelos consumidores é de 8,16, superior à nota apurada na sondagem de 2018 (7,82).

Para 93% o desconto anunciado pelas lojas era real na hora da compra, sendo que 65% dizem que isso era válido apenas em relação a alguns produtos, enquanto para outros 28%, todos os itens tinham desconto real na hora da compra. Apenas 6% dos participantes do ano passado afirmam que o percentual de desconto não era real.

Seis em cada dez pessoas ouvidas garantem que a maioria das compras da Black Friday foi planejada (65%); porém, 35% admitem ter feito compras por impulso. 14% dos participantes da última edição ficaram com o nome sujo por causa de compras na Black Friday do ano passado, sendo que 8% já limparam o nome e 6% ainda estão negativados.

Metodologia

Público alvo: Consumidores das 27 capitais brasileiras, homens e mulheres, com idade igual ou maior a 18 anos, de todas as classes econômicas (excluindo analfabetos) e que pretendem comprar na Black Friday.

Método de coleta: pesquisa realizada pela internet e pós-ponderada por sexo, idade, estado, renda e escolaridade.

Tamanho amostral da Pesquisa: 982 casos em um primeiro levantamento para identificar o percentual de pessoas com intenção de comprar na Black Friday. Em seguida, continuaram a responder o questionário 623 casos, que tinham a intenção de comprar na Black Friday. Resultando, respectivamente, uma margem de erro no geral de 3,1 p.p e 3,9 p.p para um intervalo de confiança a 95%.

Data de coleta dos dados: 19 a 26 de outubro de 2020.