Assembleia Social e MT Hemocentro promovem campanha de doação de sangue voltada para público LGBTQIA+

Objetivo da campanha de redes sociais “O sangue tem muitas cores” é divulgar fim da restrição aos doadores gays

Marcelo Camargo/Agência Brasil

O sangue de todo doador saudável salva vidas. Inclusive das pessoas LGBTQIA+. Com vistas a divulgar a liberação de doação de sangue por parte de homens que se relacionam com homens, a Assembleia Social (braço social da Assembleia Legislativa de Mato grosso) e o MT Hemocentro lançaram a campanha “O sangue tem muitas cores”.

A campanha é voltada para as redes sociais, por meio de compartilhamento de vídeo e imagem elaborados pela AL Social, incentivando pessoas LGBTQIA+ a doar. Para tanto, foram convidados artistas e produtores culturais locais, por meio de vídeos enviados cada qual de sua casa.

“Nosso objetivo é mostrar a diversidade de nossa gente, enaltecer o artista mato-grossense, divulgar o fim de um impedimento preconceituoso e, claro, aumentar as doações de sangue em Mato Grosso”, explicou a diretora da Assembleia Social e do Teatro do Cerrado Zulmira Canavarros, Daniella Paula Oliveira, convidando a todos a compartilhar o conteúdo, para atingir o maior número de pessoas.



A restrição, derrubada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em maio deste ano, por meio da análise de uma ação de inconstitucionalidade, previa inaptidão de doação de sangue por homens que praticam sexo com outros homens. Diante disso, de forma a fortalecer a comunidade LGBTQIA+, foram convidadas também pessoas de outros gêneros para a campanha de divulgação.

A diretora do MT Hemocentro, Gian Carla Zanela, reforçou que, portanto, “as pessoas que tenham relações homoafetivas podem fazer doação de sangue normalmente. Elas vão passar pela mesma entrevista, pelos mesmos critérios clínicos e serão avaliadas como aptas ou inaptas a doar sangue [como todo candidato a doação]”.

Gian Carla destacou que “nós [do MT Hemocentro] precisamos de todo tipo de sangue, independentemente do fator ABO ou o fator RH” e registrou que a instituição é “retaguarda hemoterápica para todo o Mato Grosso”, além de ser a única no estado a produzir alguns hemocomponentes. Nesse sentido, buscou sensibilizar a todos a doar sangue, já que há componentes de curta validade, gerando uma demanda de novas doações diárias.

Para doar sangue, é importante que o doador se sinta bem de saúde, ou seja, não apresentar nenhum sintoma. Precisa estar alimentado, levar documento oficial de identificação com foto e ter entre 16 e 69 anos, “sendo que a partir dos 65 anos, a pessoa tenha que ter feito outras doações anteriores; e dos 16 até um dia antes de completar 18 anos, tem que ir acompanhado do pai e da mãe”, ressalva a diretora do MT Hemocentro. Gian Carla informou que quem já foi infectado pelo novo coronavírus também pode doar sangue, desde que transcorridos 30 dias do fim dos sintomas.

“A parceria com o braço social da Assembleia Legislativa é muito importante para nós, porque estamos trazendo um novo grupo de pessoas que vai fazer sua doação de sangue, vai se sentir acolhido, bem recebido e vai se tornar doador regular de sangue. Isso é fundamental, porque, quanto mais eu tiver doadores fidelizados, que doem de 3 em 3 meses ou de 4 em 4 meses, menor será a chance de nossos estoques ficarem desabastecidos”, conclui Gian Carla.

Em função da pandemia, as doações estão sendo feitas por agendamento, para que não haja aglomeração. Os contatos são pelo telefone (65) 3626-0044, ramal 221 e 222 (Setor de Captação), pelo whatsapp (65) 98433-0624 ou online, em link disponível na página da Secretaria de Estado de Saúde (www.saude.mt.gov.br) e no Facebook do MT Hemocentro.

A sigla LGBTQIA+ significa o grupo composto por lésbicas, gays, bissexuais, travestis e pessoas transgênero, pessoas queer, intersexuais, assexuais e outras pessoas de orientações sexuais ou identidades de gênero diversas.