Assembleia instala CST para discutir relações comerciais

A CST tem um prazo de 180 dias. No final dos trabalhos será elaborado um relatório e encaminhado à Mesa Diretora

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Assembleia Legislativa vai instalar na próxima quinta-feira (6), às 15 horas, a Câmara Setorial Temática para discutir as relações comerciais, econômicas, culturais e políticas internacionais em Mato Grosso. A instalação deve acontecer no auditório Licínio Monteiro. A CST foi sugerida pela deputada Janaina Riva e pelo deputado Thiago Silva, ambos do MDB

Em entrevista concedida à TV Assembleia – Canal 30.1 – ao Programa Entrevista da Hora – o economista Maurício Munhoz, que será o presidente da CST, afirmou que durante os 180 dias de trabalho a meta é de desenvolver políticas públicas voltadas a transformar o Estado em fornecedor de produtos industrializados e não apenas commodities.

Segundo Munhoz, além de implementar as relações comerciais com a China – que é o maior importador de commodities de Mato Grosso – com destaque para a compra de soja, a CST vai dar ênfase às relações internacionais com os países vizinhos da América do Sul, principalmente, a Bolívia.

Apesar de hoje, segundo Munhoz, a Bolívia não ser um grande parceiro econômico de Mato Grosso. O produto mais complexo da balança comercial produzido e exportado para a Bolívia é calçados de couro de jacaré. “Isso é estatística. Há dois anos, foi feita uma exportação pequena de produtos fabricados em Cáceres, e exportado para a Bolívia. É um produto complexo, social e ambiental, mas que agrega muita produção entorno dele. Em vez de exportar o couro, pode agregar ainda mais se exportar calçados”, explicou o economista.

Além de avaliar as tendências comerciais, a CST vai estender as discussões para os setores relacionados à política, ao meio ambiente e à cultura. Entre as propostas que a CST pode apresentar, de acordo com Munhoz, está o de facilitar as relações comerciais entre Mato Grosso e a Bolívia, mas isso passa pela transformação do do Aeroporto Marechal Rondon, localizado em Várzea Grande, em aeroporto internacional.

Mas para o Marechal Rondon se transformar em aeroporto internacional, de acordo com Munhoz, “falta um posto especifico da Polícia Federal no local que ainda não tem. Se o Estado tivesse hoje essa relação com a Bolívia, Mato Grosso poderia exportar serviços, negócios e, com isso, ter uma relação comercial maior com a Bolívia”, disse o economista.

Munhoz explicou que a CST vai trabalhara para que o posto específico da Polícia Federal seja instalado no aeroporto. “Se isso acontecer pode facilitar as exportações com a Bolívia e com os países da América Andina. A CST pode ajudar o governo na elaboração de proposta de industrialização como, por exemplo, na fabricação de calçados de couro de jacaré. É muito complexo. Isso pode ser feito por meio de leis”, destacou.

Munhoz disse que a CST deve realizar um seminário na Assembleia Legislativa de Mato Grosso com os outros Parlamentos que fazem fronteira com a Bolívia para discutir relações internacionais. Segundo ele, Mato Grosso do Sul e Rondônia têm leis voltadas a políticas internacionais com os países que fazem fronteira com o Brasil.

“Rondônia tem uma secretaria que cuida de hidrovias. Com a hidrovia instalada em Cáceres, a integração não será apenas com a Bolívia e Argentina, mas com o mundo globalizado. Se a CST conseguir isso, a hidrovia deixará de ser um sonho e passará a ser realidade à exportação dos produtos mato-grossenses com os outros países da América do Sul”, destacou Munhoz.

Em relação à aproximação de Mato Grosso com a Bolívia, no que tange a política internacional, Munhoz disse que a criação da CST foi do sugerida pelo Gabinete de Relações Internacionais do Governo do Estado, por meio da secretária Ariana Guedes, que esteve recentemente acompanhando o embaixador da Alemanha no Brasil, Georg Wistchel, em visita a presidente Janaina Riva (MDB), na Assembleia Legislativa.

“Guedes disse que o Estado precisa de apoio parlamentar. Por isso, Janaina Riva e Thiago Silva resolveram criar a CST para assessorá-los nessa relação com o governo. No Estado já existe a estrutura de gabinete de relações internacionais. Por meio dele o governador Mauro Mendes fez uma visita ao presidente da Bolívia, Evo Morales. O encontro serviu para discutir a exportação do gás boliviano a Mato Grosso”, disse Munhoz.

Munhoz fez um alerta ao afirmar que se Mato Grosso não sair da cômoda posição de mero exportador de commodities, vai ficar para trás no cenário econômico nacional e regional. “O Estado corre o risco comercial em produzir apenas commodities. Recentemente foi detectado um caso isolado de vaca louca, no município de Nova Canaã do Norte. Os chineses, nossa parceira comercial, interrompeu a importação. A dependência do Estado de produzir poucos produtos é um problema”, afirmou Munhoz.

Entender a China, de acordo com Munhoz, é muito complexo. Apesar de eles serem um dos maiores parceiros comerciais do país. “Eles são responsáveis por grande dano à indústria brasileira. Foi um dos responsáveis pela desarticulação da indústria brasileira. Hoje, o Brasil é especialista na produção de soja, fado e algodão. Se contenta em ser fornecedor de commodities. O país está ficando para trás, quando se fala em um mundo globalizado”, disse.

MBA – De acordo com Mauricio Munhoz, em agosto deste ano, a Escola do Legislativo da Assembleia Legislativa vai criar o curso de MBA (Master in Business Administration) em Desenvolvimento Regional Sustentável. Para o curso de formação, a Escola vai disponibilizar 40 vagas, com duração de 18 meses, e será destinado aos servidores. Mas caso todas as vagas não sejam preenchidas, elas serão abertas à sociedade.

Para participar e ministrar a pós-graduação, segundo Munhoz, serão convidados especialistas dos vários setores produtivos de Mato Grosso. entre eles, estão Glauber Silveira, da Aprosoja; professores da Universidade Federal de Mato Grosso, Daniel Latorraca do IMEA (Instituo Mato-grossense de Economia Agropecuária), e Everton Carvalho que é pós-doutor em física nuclear (vai falar sobre sustentabilidade)

“São profissionais de diversos segmentos. Essa MBA vai tratar de todos os setores econômicos existentes e possíveis em Mato Grosso. Como, por exemplo, em inovação em startups. Vai ter matéria exclusiva para tratar disso. Aqui, em Mato Grosso é um segmento que não existe. É o futuro que tem que ser trabalhados”, disse Munhoz..

De acordo com Munhoz, o MBA vai direcionar o estudo para o agronegócio, mineração, turismo, econômica verde, inovações. “Tudo isso ligado a sustentabilidade. É um curso bastante inovador que a Escola do Legislativo irá promover a partir de agosto deste ano. A prioridade é para que o servidor da Assembleia faça o curso. É um curso que vai tratar sobre o dinamismo econômico e social de Mato Grosso”, destacou o economista.