Após sofrer bullying ao revelar a colegas de escola que era gay, garoto de 9 anos se suicida

Criança se suicida após bullying de colegas na escola
"Perdi minha razão de respirar", disse a mãe do garoto - (Reprodução/Facebook)

Um menino de 9 anos cometeu suicídio na última quinta-feira (23) na cidade de Denver, em Colorado, nos Estados Unidos. A mãe do pequeno Jamel Myles, Leia Pierce, começou nesta segunda-feira (28) uma campanha de alerta contra o bullying e a homofobia nas escolas.

O garota, Jamel Myles, e sua mãe, Leia Pierce – (Reprodução/Facebook)

Ao jornal americano ‘Denver Post’, Leia afirma que a atitude do filho foi resultado de bullying,abusos e intimidações dos seus colegas da Escola Fundamental Joe Shoemaker, também na cidade de Denver.

“Ele foi para a escola e disse que iria contar para as pessoas que era gay porque estava muito orgulhoso de si mesmo”, disse a mae de James.

Quanto a sua atitude de “sair do armário”, Leia contou que tudo aconteceu primeiramente com ela, durante as férias de verão deste ano (entre junho e julho). “Ele parecia tão assustado quando me contou.

Ele disse: ‘mamãe, eu sou gay’. Eu pensei que ele estava brincando, então olhei para trás, porque estava dirigindo, e ele estava tão assustado. E eu disse que continuava o amando”, contou Leia, que acrescentou que um dos maiores desejo de seu filho era contar para seus colegas da escola sobre “quem era”.

As aulas do rapaz começaram na segunda-feira (20), quatro dias antes de Jamel ser  encontrado morto na casa onde vivia. “(quatro dias) foi tudo o que durou na escola.

Eu nem consigo imaginar o que disseram para ele”, lamentou a mãe. “Minha filha mais velha correu a mim e disse que as crianças da escola falara para ele se matar. Ele não chegou a me procurar”, explica.

Após repercussão do caso, o Distrito Escolar do Condado de Denver instalou comissão de conselheiros para os estudantes da escola de Jamel.

Um dia após sua morte, cartas foram enviadas a todos os pais ou responsáveis de alunos da instituição, informando sobre a perda do garoto e aconselhando as famílias a ficarem atentas a quaisquer sinais que as crianças possam passar.

“Nosso objetivo é ajudar vocês a contarem a notícia aos seus filhos da forma mais apropriada possível, com todo o apoio necessário. Então, sintam-se a vontade para nos procurar para saberem como lidar com a situação”, diz a carta.

Em entrevista à emissora inglesa BBC, Will Jones, porta-voz do distrito, afirmou que os professores da Joe Shoemaker “estão criando um espaço para os estudantes compartilharem como estão se sentindo e processarem suas emoções”. Docentes da quarta e da quinta série se reunião a partir dessa semana com as famílias individualmente.

Mesmo ainda lidando com luto, Leia quer alertar as famílias sobre as consequências do bullying e cobra a responsabilização dos pais.

“As crianças sabem que é errado”, afirma a mãe. “Eu acho que os pais devem ser punidos porque, obviamente, eles estão ensinando as crianças a agirem assim ou estão as tratando dessa forma”.

Repercussão nas redes sociais

Quando a notícia da morte de Jamel se espalhou no mundo, houve repercussão nas redes sociais. Internautas, famosos e órgãos voltados aos direitos humanos se manifestaram.

“Nossas profundas condolências vão para a família de Jamel Myles. Ninguém, especialmente as crianças, deve se sentir sozinha e sem esperança simplesmente por ser quem eles são”, twettou a instituição Human Rights Campaign.

“Seu nome era Jamel Myles e só por essa foto você pode afirmar que ele tinha uma personalidade brilhante. Estou orando por um futuro onde as crianças podem ter orgulho de suas identidades sem serem perseguidas. Que ele descanse em paz”, desejou um outro internauta.

“Jamel Myles, de 9 anos, teve a aceitação de sua família ao dizer que era gay. Ele decidiu fazer o mesmo na escola, pois tinha orgulho de si mesmo. Após 4 dias, ele se matou”, detalhou outra pessoa nas redes.

Menores de 13 anos são os que mais se suicidam

De acordo com o Centers for Disease Control, um pré-adolescente (entre 9 e 13 anos) comete suicídio a cada 5 dias. O mesmo estudo mostra que, de 1995 a 2015, 1,309 pessoas entre 5 e 12 anos cometeram suicídio nos Estados Unidos. A maioria destes eram garotos.

James só tinha 9 anos e estava na quarta série – (Reprodução/Facebook)