Aos 70 anos, historiadora é responsável pela transcrição de documentos históricos

Aos 70 anos, historiadora é responsável pela transcrição de documentos históricos
Ela explica que são papeis muito finos e frágeis, e que o simples fato de os tocar já acelera o processo de deterioração - Foto por: Christiano Antonucci | Secom MT

Muitos documentos manuscritos raros e de valor histórico inestimável já foram transcritos, e com isso tiveram seu conteúdo preservado, pelas mãos da historiadora Yumiko Takamoto, responsável por esta tarefa na superintendência do Arquivo Público de Mato Grosso. Aos 70 anos, não pensa em se aposentar para não deixar a atividade profissional que ama.

Ela conta que um dos seus orgulhos profissionais foi a transcrição dos “Annaes do Sennado da Camara do Cuyabá”, que reúne documentos entre 1719 e 1820 que contam o que se passava na localidade por praticamente um século, como as festas religiosas, os eventos e costumes.

“Foi meu primeiro grande desafio, cerca de três meses inteiros trabalhando de manhã, tarde e noite para concluir a transcrição”, lembra. O trabalho foi publicado pela editora Entrelinhas em 2007, e está disponível no site da instituição.

Atualmente a servidora está empenhada na transcrição do Fundo Tribunal da Relação, com arquivos do século XIX, que contém relatos de julgamentos nos primórdios da Justiça estadual.

Paulista, começou a carreira como professora em uma escola estadual do bairro Tijucal, na Capital, em 1985, somando 34 anos de serviço público. Apenas de atividade no Arquivo Público são 23 anos. É a matriarca da família, mãe de duas filhas e um filho, viu a família crescer e se tornou avó de cinco netos.

“Sempre cuidei dos meus filhos para que tivessem uma infância saudável, longe de problemas, e pudessem crescer felizes. Sempre trouxe comigo que devemos perdoar o outro para sermos felizes, e acima de tudo, tenho fé em Deus”, comenta.

Transcrição de documentos

O trabalho desenvolvido pela Yumi, como é chamada por todos do Arquivo, possibilita que o conteúdo de documentos dos séculos XVII em diante possam ser acessados por qualquer interessado, sem a necessidade de manusear os documentos. Ela explica que são papeis muito finos e frágeis, e que o simples fato de os tocar já acelera o processo de deterioração do documento.

Documentos do século passado são analisados de forma detalhada pela profissional, que os manuseia com cuidado e luvas para evitar qualquer desgaste. Muitas vezes com auxílio de lupa, alguns deles são praticamente traduzidos, superando o obstáculo da linguagem erudita, grafia da época, e até do estado de conservação do papel.

O conteúdo é escrito a lápis em um papel, e em seguida, digitado para ser disponibilizado no banco de dados do Arquivo. A prática segue normas técnicas para transcrição de documentos.

Mulheres no Estado

A historiadora faz parte das mulheres que, entre milhares de servidoras públicas, teve sua história contada no mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher. Cada uma com a sua contribuição, leva serviços ao cidadão e faz o Estado de Mato Grosso.