Amor de mãe e a justa medida da dedicação

Um estudo realizado com 500 mulheres pelo google e divulgado em uma revista feminina, revela o perfil da mãe brasileira. Apesar das mães estarem muito mais incluídas no mercado de trabalho do que há algumas décadas atrás, elas continuam sendo as principais responsáveis pelos filhos. Inclusive, 30% delas criam seus filhos sozinhas.

Somente uma em cada quatro mães afirma dividir as responsabilidades na criação dos filhos. Muitas dessas brasileiras sobrecarregadas esqueceram de cuidar de si mesmas. O autocuidado e atividade física não são prioridades para 30% delas, pois no topo da prioridade estão os filhos e o trabalho.

A mãe brasileira trabalha fora, estuda e cuida da casa. Os medos e as inseguranças que essas mães sentem estão longe da imagem da mãe heróica que muitas vezes é representada na mídia.




Percebo em meu consultório e em palestras que dou, que há uma discrepância entre as mães de classe baixa/média e as mães de classe alta. Embora ambas estejam inseridas no mercado de trabalho em sua maioria, a mãe de classe alta prioriza a si mesma, com cuidados com o corpo, estética, mídia, exposição na internet, grupos sociais e acabam terceirizando a criação dos filhos através de babás, escolas e professores particulares.

O reflexo disso na vida dos filhos são desastrosos. Surgem sintomas de depressão, agressividade, dificuldade na aprendizagem, no sentir e manifestar afeto, ansiedade, entre outros.

Isso não quer dizer que a prioridade dada pelas mães de classe baixa ou média, seja ideal, uma vez que o filho precisa ver em sua mãe um referencial positivo que queira imitar. Se essa mãe está sempre cansada, com a autoestima baixa, estressada ou até meio deprimida, isso não ajudará no desenvolvimento emocional desses filhos. Neste sentido, é preciso muita sabedoria para equilibrar as coisas, sem negligenciar as crianças e a si mesma.

Talvez você, mãe que lê esse texto, pense automaticamente: não tenho tempo. Se de fato você trabalha o dia inteiro e a noite ainda estuda, concordo com você, não há tempo. Se seus filhos são pequenos, talvez seja importante rever e quem sabe adiar os estudos por um tempo, ou procurar um emprego com menor carga horária. Como psicóloga afirmo: os filhos precisam das mães!

As lacunas deixadas por uma mãe ausente são eternas, deixam feridas e marcas que geram muitas dores quando se abrem essas questões dentro de um processo terapêutico com crianças, adolescentes e até adultos que foram negligenciados de alguma forma.

Caso você não tenha três períodos do seu dia ocupados e ainda não tem tempo para se dedicar presencialmente aos filhos, é muito provável estar faltando alguma organização na sua vida. Costumo dizer em minhas palestras que nós temos 8 horas para trabalhar, 8 horas para dormir e 8 horas para amar os nossos amados, incluindo amar a si mesma.

Crie novos hábitos. Eu também sou mãe e, por exemplo, quando as manhãs estão menos frias, desperto meu filho mais cedo para dar uma volta pela estrada, pelo meio do verde. Mesmo

antes de morar em uma chácara, quando morávamos em apartamento, todos os dias pegava meu filho na escola e íamos a um parque, ele em sua bicicleta, e eu fazendo caminhada. Sentávamos, olhávamos os gansos, a vida ao redor, as pessoas. Ali ele filosofava sobre assuntos muito profundos, porque sim, quando estamos no meio da natureza a nossa mente vai muito além.

Esses momentos são muito preciosos para a formação integral da personalidade de seu filho. Ambos, mãe e filho, saiam das redes. A tecnologia não é proibida, mas ela não pode fazer parte da rotina. Viver sim, deve ser parte da rotina. Conversar, abraçar, dar colo, se cuidar, se amar.

Também o desenvolvimento da espiritualidade, o contato com a dimensão mais transcendente do ser humano, só é capaz se tivermos esse tempo a mais, que poderá ser a noite, antes de dormir, de acordo com suas crenças. A sabedoria será passada pelos pais! Uma frase que gosto muito é: “Deus se ensina no colo”.

Se negligenciarmos a dimensão espiritual de nossos filhos, eles serão pessoas vazias, sem propósito, sem sentido de vida. Não podemos errar com nossos pequenos, não temos o direito de errar, eles vêm perfeitos, repletos de dons, com muitos ensinamentos a nos passar.

Que nesse Dia das mães vocês se permitam serem cuidadas pelos seus filhos. (massageadas, maquiadas). Eles precisam daquilo que você tem de melhor! Precisam ver o brilho nos seus olhos e entenderem que, sim, eles trazem alegria para você, não são um peso, o motivo do cansaço e das rugas.

Se conseguir encontrar equilíbrio, você perceberá que seus filhos te dão sentido, e portanto, vida, força, fé, esperança.

*Adriana Potexki é psicóloga, escritora, colunista do Formação Canção Nova e palestrante.