Alimentação saudável é aliada na prevenção da obesidade e doenças crônicas

Ministério da Saúde aproveita a data mundial para reforçar orientações sobre alimentação saudável para a prevenção da obesidade e outros problemas de saúde

Obesidade no país aumentou entre 2006 e 2018, diz pesquisa
Conselho Federal de Nutricionistas

A má alimentação é um dos principais fatores de risco para doenças e mortes no mundo. Por isso, no Dia Mundial da Alimentação, celebrado nesta sexta (16/10), o Ministério da Saúde reforça as ações de promoção à saúde dos brasileiros, incentivando uma alimentação saudável para a prevenção da obesidade e de doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes e problemas cardíacos.

“A alimentação inadequada tem um peso maior do que o tabaco, o álcool e a atividade física na determinação da doença nos brasileiros. Então, no momento em que nós adotamos um padrão de alimentação saudável, estamos reduzindo o risco de ficar doente”, explica Gisele Bortolini, coordenadora-geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde.

Por meio do Guia Alimentar para a População Brasileira, elaborado pelo Ministério da Saúde, a população pode conhecer, de maneira simples e descomplicada, as recomendações sobre hábitos saudáveis. Segundo o documento, a base de uma alimentação saudável deve ser composta por alimentos in natura ou minimamente processados. Ou seja: quanto menos processamento, melhor para a saúde. Basta prestar atenção nos rótulos dos produtos para diferenciar os alimentos que você está consumindo. Deixar de lado aqueles que possuem ingredientes desconhecidos ou com pouca quantidade de produtos in natura, e valorizar os alimentos brasileiros, como o arroz e o feijão, é uma atitude essencial para a manutenção da saúde e prevenção de doenças.

“A base da alimentação dos brasileiros ainda é o arroz com feijão, que são os alimentos in natura e minimamente processados, padrão de alimentação que precisa ser preservado. Mas a participação de alimentos ultraprocessados vem aumentando”, diz Gisele Bortolini.

CONSUMO DOS ALIMENTOS

Segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) de 2017/2018, houve uma queda no consumo de alimentos in natura ou minimamente processados se comparado com os estudos de anteriores. Por exemplo, de 53,3% em 2002/2003 caiu para 49,5% em 2017/2018 o valor calórico total dos alimentos adquiridos no domicílio. Também houve declínio no uso de ingredientes culinários (de 25,8% para 22,3%). Em contrapartida, houve um aumento do consumo de alimentos processados (de 8,3% para 9,8%) e ultraprocessados (de 8,6% para 18,4%).

Isso acende o alerta para maior incidência de obesidade, diabetes e hipertensão. Doenças como diabetes, câncer, e relacionadas aos aparelhos circulatório e respiratório são responsáveis por 63% das mortes globais, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). No Brasil, as doenças crônicas não transmissíveis correspondem a 72% das causas de óbito.

A coordenadora-geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde dá a dica sobre qual é o prato perfeito para a sua saúde: “O básico é o arroz com feijão, uma salada crua, um vegetal cozido, carnes e, água para beber. Esse é o prato mais perfeito, produz saúde, e pode e deve ser consumido no almoço e no jantar. E é saboroso”, completa.

OBESIDADE

Entre 2006 e 2019, dados do sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) mostraram maior prevalência de excesso de peso entre brasileiros (de 42,6% para 55,4%), de obesidade (de 11,8% para 20,3%), de diabetes (de 5,5% para 7,4%) e de hipertensão (de 21,6% para 24,5%).

Gisele Bortolini destaca a atenção dada aos usuários no Sistema Único de Saúde (SUS): “Ao procurar uma unidade básica de saúde próxima de casa, os indivíduos encontrarão um leque de ações que são ofertadas desde a vigilância, diagnóstico, tratamento e ações de prevenção e promoção. O nosso objetivo é promover saúde para a população por meio dos guias alimentares e diminuir o risco de adoecimento e excesso de peso”, explica. 

Nas crianças acompanhadas pela Atenção Primária à Saúde (APS) do SUS, 14,8% dos menores de 5 anos e 28,1% das crianças entre 5 e 9 anos tinham excesso de peso em 2019. Dessas, 7% e 13,2% apresentavam obesidade, respectivamente. Quanto aos adolescentes acompanhados na APS em 2019, 27,9% e 9,7% apresentavam excesso de peso e obesidade, respectivamente.

Para orientar pais e responsáveis, o Ministério da Saúde disponibiliza o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos, com recomendações para a alimentação saudável dos pequenos.

ESCOLHA DOS ALIMENTOS

Saiba como fazer boas escolhas alimentares:

  • in natura ou minimamente processados: são aqueles obtidos diretamente de plantas ou de animais e adquiridos para consumo sem que tenham sofrido qualquer alteração após deixarem a natureza. Exemplos: frutas, verduras, legumes, cereais como o arroz, farinhas, raízes e tubérculos como a mandioca, grãos como os feijões,  carne resfriados ou congelados, ovos, castanhas, e leite pasteurizado;
  • produtos extraídos de alimentos in natura ou diretamente da natureza: usados pelas pessoas para temperar e cozinhar alimentos e criar preparações culinárias. Exemplos: óleos, gorduras, açúcar e sal;
  • processados: produtos fabricados essencialmente com a adição de sal ou açúcar a um alimento in natura ou minimamente processado. Exemplos: legumes em conserva, frutas em calda, queijos e pães;
  • ultraprocessados: produtos cuja fabricação envolve diversas etapas e técnicas de processamento e vários ingredientes, muitos deles de uso exclusivamente industrial. Com pouca ou nenhuma quantidade de alimento in natura ou minimante processado na composição Exemplos: refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos de pacote e macarrão instantâneo.

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