Advogada de MT usa tecnologia e criatividade para garantir audiência de conciliação na pandemia

Elaine Freire organizou sete audiências na casa de um pastor no interior e no mesmo dia participou de audiência criminal de dentro do carro

Elaine Freire em audiência criminal virtual

Em tempos de pandemia do novo coronavírus, advogados estão se adaptando ao “novo normal” para que, por meio de plataformas disponibilizadas pelo Poder Judiciário e criatividade, garantam atendimento aos clientes.

Nesta quarta-feira (09.06), a advogada Elaine Freire, de Cuiabá (MT), viabilizou sete audiências de conciliação na residência de um morador de São José do Povo (264 km de Cuiabá) e no mesmo dia, de dentro do carro, entrou em uma audiência criminal promovida pela Comarca de Cáceres, a 215 km da Capital mato-grossense, onde ela mora.

Em São José do Povo, moradores enfrentam constante oscilação e falta de energia. Diante da má prestação de serviços, que ocasionou até mesmo a queima de equipamentos, consumidores entraram com processos contra a concessionária que fornece energia.

“A concessionária foi alvo de Inquérito Civil instaurado pelo Ministério Público Estadual (MPE/MT) em 2017. Houve um acordo que até hoje não foi cumprido. Então, novamente os moradores acionaram a justiça e em fevereiro de 2020 foi protocolada uma Ação Civil Pública”, explica Elaine Freire.

Advogada Elaine Freire

Com as novas audiências de conciliação agendadas, a advogada pediu apoio de um morador da cidade, o pastor Clésio Oliveira Barroso, que cedeu sua residência onde ela reuniu os clientes para a videoconferência. “Muitas vezes os clientes são pessoas leigas, não compreendem muito sobre tecnologia, e por isso o escritório optou por buscar uma pessoa dentro da cidade para que pudesse viabilizar as audiências”.

Além de disponibilizar a área de sua casa, o pastor Clésio cedeu a internet. O escritório levou seus equipamentos e também máscaras e álcool em gel para a comodidade e prevenção de saúde de todos.

“O cliente já vem sofrendo, então não é certo que ele não consiga finalizar seu processo por falta de estrutura. Se a gente quer fazer com que a sociedade tenha acesso à justiça, temos que nos reinventar. Não dá para ficar esperando data para ir ao Fórum, principalmente nas comunidades mais distantes, onde a tecnologia é mais escassa”.

No período da tarde, já em Rondonópolis, quando retornava para Cuiabá, ela entrou em uma audiência criminal promovida pela comarca de Cáceres, na região Oeste de Mato Grosso, de dentro do carro mesmo. “Orientei o cliente pelo celular sobre como deveria acessar a plataforma e no final deu tudo certo”, comemora Elaine Freire.