A divisão do país

Em decorrência das eleições presidenciais, estamos vivenciando um conflito diário que culminou com a divisão do país.

A discussão que deveria permanecer apenas no campo ideológico, aos poucos, está se transformando em intolerância e, consequentemente, em ofensas pessoais.

Os cidadãos que se uniram para pedir o fim da corrupção, agora estão se digladiando nas redes sociais, que se tornaram um campo de guerra, em que as pessoas são ofendidas pelas suas convicções pessoais.

Aos olhos da sociedade, se o cidadão vota na esquerda é a favor da corrupção, enquanto que, se vota na direita, defende a intolerância e o ódio.

Ao mesmo tempo em que a sociedade se divide, os próprios candidatos, atentos aos resultados obtidos em virtude desta divisão, imediatamente reforçam suas campanhas eleitorais, deixando de lado as propostas e os problemas cruciais da saúde e segurança, alicerçando o discurso na necessidade de se escolher um dos lados.

Infelizmente, a campanha propositiva que deveria ocorrer, sobretudo, porque a sociedade está financiando a campanha eleitoral, aos poucos se transforma em uma verdadeira baixaria.

Os veículos de comunicação, por sua vez, que tinham a obrigação de resguardar a imparcialidade, estão sendo utilizados para interferir na escolha dos eleitores.

E o que causa mais espanto é que a democracia está sendo colocada em “xeque”, já que tanto candidatos quanto apoiadores ensaiam não aceitar o resultado das urnas.

Se a sociedade não mudar o comportamento, imediatamente, exigindo que os candidatos respondam aos questionamentos dos rumos do país e apresentem propostas factíveis, provavelmente iremos sofrer consequências de um governo instável.

Saúde, segurança pública e a moralidade na administração pública, são temas indispensáveis a serem abordados.

O fortalecimento da operação que culminou com a prisão de empresários, ex-gestores e políticos também merece um capítulo à parte nestas discussões, pois é inadmissível que haja um retrocesso no combate à imoralidade, que comprovadamente causou prejuízos imensuráveis ao erário durante décadas.

O cumprimento de decisões judiciais, ou seja, perdoar um condenado não deveria sequer ser mencionado no debate eleitoral, pois, afronta os princípios basilares de nossa Constituição, que embora seja nova, deve ser resguardada.

Neste momento, a sociedade não pode agir como coadjuvante, pois tem o papel principal e a responsabilidade de exigir um debate sério e responsável sobre os novos rumos de nosso país.

Deixemos os “lados” de lado, e passemos a questionar o que realmente é importante, pois, qualquer que seja eleito não irá governar apenas para àqueles que votaram, mas para todos.
Rodrigo Araújo é advogado militante e Conselheiro Estadual da OAB/MT.