40% dos comércios fecham as portas por obras do VLT em cidade de MT

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Os prejuízos da obra parada do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) na Avenida da FEB em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá, preocupam comerciantes e empresários. Uma estimativa da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) diz que 40% das empresas que ficam às margens do canteiro de obras do VLT nessa avenida fecharam as portas.

O VLT, que deveria ter ficado pronto para a Copa do Mundo, está com as obras suspensas desde dezembro de 2014. Desde então os comerciantes e moradores da Avenida da FEB, que abrange grande parte do trajeto do projeto, convivem com pistas estreitas, tapumes no lugar das calçadas e blocos de concreto ao longo dos trechos. Contornos foram fechados e por isso os clientes não conseguem ter um acesso fácil às empresas.

“Andando na avenida é visível a quantidade de empresas que fecharam no município. Hoje temos o número de que quase 40% dessas empresas que se encontraram na avenida foram fechadas, deixando de gerar mais de 500 empregos diretos, fora os indiretos”, disse o presidente da CDL, Deivid Pintor.

Os empresários e comerciantes reclamam que não percebem uma definição clara do atual governo em relação à situação da obra parada. Eles dizem que o fluxo de pessoas diminuiu consideravelmente nos últimos meses, forçando demissões de funcionários e fechamento de empresas, tudo para cortar gastos.

“A população deixa de comprar no comércio local para ir comprar no município próximo porque ele se sente mais confortável e consegue ter uma acessibilidade maior”, explicou Deivid. Ainda assim, os comerciantes dizem que as empresas estão isoladas e sem expectativas de investimentos até que a situação da obra seja resolvida.

“O empresário não tem uma coragem de investir, de fazer uma reforma ou qualquer vontade de melhorar. Ele não tem uma definição dessa obra”, completou o presidente.

Trancos e barrancos

Os empresários que continuam trabalhando na Avenida da FEB fizeram remanejamentos, tiraram calçadas e até diminuíram o tamanho das lojas. Outros comerciantes jogaram terra e cascalho por cima dos trilhos para improvisar uma entrada para as lojas.

O empresário Acir Monteiro da Silva é dono de uma churrascaria na avenida, vizinha de várias empresas. Ele calcula que o movimento de clientes na churrascaria caiu entre 50% a 60% desde que as obras começaram e pararam em seguida. “Antes eu vendia na faixa de 250 a 300 refeições por dia. Hoje para eu conseguir vender 100 refeições eu tenho que ‘mexer o doce’, ir atrás e fazer promoção, divulgar e ligar para meus clientes”, lamentou.

Acir diz que está complicado manter o restaurante de grande porte para um público pequeno. “Além de eu ter que demitir pessoas porque o movimento caiu bastante, eu tenho que correr atrás dos meus clientes e trazer pra cá. Os clientes que eram assíduos não vêm mais porque eles não têm acesso ao restaurante. A perca da minha clientela é devido à obra, pois meu cliente não consegue entrar”, criticou.

Obra

As obras do VLT estão paradas desde dezembro de 2014 e não devem continuar neste ano. Estima-se que o governo estadual já tenha gastado R$ 1,066 bilhão com o modal. Dos 22 quilômetros previstos, sete foram colocados. No mês passado, a Justiça suspendeu por quatro meses o contrato do estado com o Consórcio VLT, responsável pela obra.

Uma empresa foi contratada pelo governo do estado para fazer um estudo nos prazos e nos custos do projeto para dar segurança jurídica à conclusão da obra, segundo o Executivo.

“Os órgãos de controle que devem apurar. Nós temos o Ministério Público, nós temos o TCE mostrando caminhos, que eu vi, grandes inconsistências, grandes problemas na obra de planejamento, de desvio de recursos, enfim, está apontado tudo pelos órgãos de controle”, disse Eduardo Chiletto, secretário de Cidades.

O consórcio responsável pela obra negou qualquer irregularidade. Disse que ela foi interrompida por falta de pagamento por parte do estado. E porque algumas desapropriações deixaram de ser feitas. O Ministério Público e a Assembleia Legislativa do estado investigam as denúncias.

Quase metade dos comércios fecham as portas por obras do VLT (Foto: Reprodução/TVCA)