Rondonópolis terá programa para qualificação e inserção de jovens e pessoas com deficiência no mercado de trabalho

Iniciativa lançada nesta terça-feira, 9, conta com a participação da Prefeitura e de cerca de 100 empresas, representantes de sindicatos, associações, entidades e autoridades

Rondonópolis terá programa para qualificação e inserção de jovens e pessoas com deficiência
Da esquerda para a direita: Maria das Graças Costa, juíza da Vara da Infância e Juventude; Márcia Rotili, secretária de Assistência Social, Cláudia Calais, diretora executiva da Fundação Bunge; e Patrícia Campos, promotora de justiça da Infância e Juventude (Crédito: Clip Color)

Empresários, sindicatos, representantes de associações, entidades e Prefeitura de Rondonópolis se uniram para o lançamento de programa que irá oferecer qualificação e inserção de jovens aprendizes e pessoas com deficiência no mercado de trabalho.

O lançamento foi feito nesta terça-feira, 9 de outubro, na presença de autoridades como a promotora de justiça da Infância e juventude Patrícia Campos e da juíza da Vara da Infância e Juventude, Maria das Graças Costa.

O programa é uma iniciativa da Fundação Bunge, instituição sem fins lucrativos que coordena projetos educacionais e de desenvolvimento territorial em várias regiões do Brasil e surgiu da necessidade de solucionar dois problemas que prejudicam o crescimento econômico e a inclusão social em Rondonópolis: dificuldade para preencher vagas de emprego disponíveis na região e o cumprimento de duas leis importantes – Lei da Aprendizagem, que determina que todas as empresas de médio e grande porte devem contratar de 5% a 15% de jovens entre 14 e 24 anos; e a Lei para PCDs, que garante a inclusão no mercado de trabalho de pessoas com algum tipo de deficiência.

Segundo Claudia Calais, diretora executiva da Fundação Bunge, o objetivo é construir uma Rede de Trabalho onde haja inclusão e seja possível influenciar políticas públicas para emprego e renda na região.

“Estamos reunindo diversos setores da cidade para que cada um, com a sua expertise, contribua da melhor maneira para atender jovens e as pessoas com deficiência. Não é filantropia, mas o desejo de estabelecer um equilíbrio neste ciclo: profissionais de alto nível para o mercado e emprego e renda para o município”, explica.

Elisângela Vieira, gestora da Associação Koblenz Brasil KoBra, que atende jovens e pessoas com deficiência em vulnerabilidade social em Rondonópolis, destacou a importância da iniciativa.

“Precisamos estabelecer o diálogo entre empresas, qualificadores e sociedade civil. O grande problema hoje, na nossa comunidade, é a falta de informação.

Com uma boa conversa entre os setores, conseguiremos pensar em ações que promovam a dignidade, um direito de todos. Além disso, com o acesso à informações também vamos combater preconceitos”, ressaltou.

De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria da Alimentação da Região Sul do Estado do Mato Grosso, Omar Alberto Pereira, a maioria das empresas associadas ao sindicato tem dificuldade para cumprir a legislação que beneficia jovens e PCDs.

“O ponto positivo desse projeto é o relacionamento que estamos estabelecendo entre os empresários, instituições formadoras e o poder público. Existe um cadastro com mais de 10 mil jovens e PCDs à espera de oportunidades no mercado de trabalho e muita gente ainda não tem conhecimento ou acesso à esse banco de dados”, ressalta.

Márcia Rotili, secretária de Promoção e Assistência Social de Rondonópolis, destacou a importância da comunicação entre a prefeitura e o empresariado.

“Não se trata só de qualificar, precisamos construir juntos um caminho que abra portas para essas pessoas e que promova igualdade de condições. Estamos à disposição das empresas e com esta iniciativa queremos estar ainda mais próximos”, disse.

Alencar Fontana, gerente administrativo da Bunge, unidade de Rondonópolis, destacou a importância da participação de mais empresas na rede de trabalho que está sendo construída a partir do projeto lançado hoje.

“Estamos buscando fazer a correlação e sinergia entre todas as entidades, órgãos e empresas da região. Temos oferta e demanda por emprego, mas precisamos organizar esse sistema e fazer dele um ciclo positivo para a cidade. Por isso é importante o apoio de toda a comunidade rondopolitana com ideias e energias”, afirma.

O programa está aberto a outras empresas, associações, entidades e sindicatos que queiram participar e já conta com o apoio da Prefeitura de Rondonópolis, por meio da Secretaria de Promoção e Assistência Social; da Amaggi, Associação Comercial, Industrial e Empresarial da cidade (ACIR); Associação KoBra;  Bunge (Unidade Rondonópolis); Fundação Bunge; Grupo FAAT; Grupo Petrópolis; Ministério Público (Promotoria de Justiça da Infância e Juventude); Nutripura; Tribunal de Justiça da Infância e Juventude; Tropical Melhoramentos e Genética (TMG), SENAI; Senac; SESI; Sindicato das Indústrias de Alimentação da Região Sul do Estado do Mato Grosso (SIAR SUL); Sementes Adriana; Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Rondonópolis (SINDIMEC-SUL); Sistema Nacional de Emprego (SINE); e Sistema Federação das Indústria no Estado do Mato Grosso (FIEMT).

Pesquisa

No lançamento também foi divulgada a pesquisa inédita Mercado de Trabalho para PCDs e Jovens Aprendizes, feita pela consultoria Santo Caos a pedido da Fundação Bunge e da ACIR.

O estudo feito em setembro deste ano ouviu 46 empresas de médio e grande porte dos setores de Comércio, Indústria e Serviços, além de 5 entidades sociais da cidade. Mais da metade das empresas (53%) disse que nunca ou raramente encontra profissionais qualificados para vagas que oferecem. Quando encontram, apenas 9% afirmam que o nível de qualificação é bom.

Sobre as cotas para contratação de pessoas com deficiência, 46% dos entrevistados concordam que são extremamente necessárias, mas, mais da metade (55%) leva mais de 60 dias para encontrar um candidato apto para a vaga.

A maior dificuldade é localizar os profissionais PCDs, seguido por falta de competência técnica, nível de escolaridade e grau de deficiência.

Entre os jovens aprendizes, o estudo revelou que as principais dificuldades na contratação nos três setores pesquisados são competências comportamentais e competências técnicas.

Quando questionados sobre a qualidade dos cursos oferecidos para jovens, 48% dos entrevistados responderam que estão mais ou menos satisfeitos e 16% insatisfeitos ou extremamente insatisfeitos.

As empresas também esperam crescer muito nos próximos cinco anos e afirmam que vão precisar de funcionários para as áreas administrativa, de produção e de tecnologia, mas apenas 18% delas afirmam ter certeza que os funcionários atuais têm competências necessárias para lidar com esse cenário de crescimento.

Próximos passos

Ao final do lançamento, os integrantes da Rede de Trabalho participaram da primeira fase de um workshop de sensibilização sobre as áreas de atuação do programa.

O encontro aconteceu na Secretaria de Promoção e Assistência Social de Rondonópolis e teve o objetivo de discutir temas como diversidade e preconceitos com relação aos jovens aprendizes e pessoas com deficiência. O próximo encontro acontecerá no dia 30 de outubro, no Senai.