Produção industrial brasileira cai pelo 3º mês seguido

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A produção industrial brasileira recuou 1,2% em abril ante março, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta terça-feira. Trata-se do terceiro resultado negativo consecutivo – a perda acumulada nos últimos três meses é de 3,2%. É também a maior queda para o mês desde 2011, quando o recuo em relação ao mês imediatamente anterior foi de 2,7%.

Em relação a abril de 2014, a retração é de 7,6%. Analistas consultados pela Reuters esperavam queda de 1,4% em abril sobre o mês anterior e baixa de 7,9% na base anual. De janeiro a abril, a indústria acumula queda de 6,3% e, em 12 meses, de 4,8%, o pior desempenho desde dezembro de 2009, quando houve queda de 7,1%.

Dos 24 ramos pesquisados, 19 tiveram baixa na produção em abril ante março. As principais influências foram registradas por veículos automotores, reboques e carrocerias (-2,5%) e perfumaria, sabões, detergentes e produtos de limpeza (-3,3%). Outras contribuições negativas importantes vieram de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-5,4%), outros equipamentos de transporte (-8,5%), metalurgia (-2,4%), de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-5,3%).

"Chama atenção o perfil disseminado. Todas as grandes categorias registram taxas negativas, com destaque para bens de capital", afirmou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria IBGE. Ainda na comparação mensal, bens de capital tiveram baixa de 5,1%; bens de consumo semi e não-duráveis, de -2,2%; bens de consumo duráveis, de -1,8% e bens intermediários, de -0,2%.