Priorizando o voluntariado, Feijoada de Inverno firma parceria com a cozinha de Sant’Ana

Delcio JB

Um dos mais belos e reproduzidos cartões postais de Mato Grosso, a igreja edificada na praça central da cidade de Chapada dos Guimarães sustenta muitas histórias de fé. A construção, que revela nos detalhes os seus 239 anos, reflete as cores do céu e colore de branco e azul aquele cenário – um dos mais visitados do município turístico. 

A Igreja de Sant’Ana também realiza a famosa Festa de Sant’Ana – que é centenária e, a preceder a festividade, há a peregrinação de sua bandeira por entre os bairros e a zona rural de Chapada dos Guimarães. A fé é o elemento que norteia o trajeto da bandeira e, por meio dela, é selado o elo entre os fiéis e a paróquia.  

Entre os aspectos mais tradicionais da festa, está a cozinha voluntária, responsável pela preparação dos alimentos servidos durante todo o evento. Do “tchá com bolo” à famosa refeição servida no almoço, o cardápio da celebração é inteiramente preparado pelos aproximadamente 60 voluntários. As panelas enormes, arrebatadas de comida a sair vapor, são proporcionais ao público – já que milhares de pessoas são servidas durante a festa. 

“No dia 26 de julho, em que comemoramos o dia de Santa Ana, servimos mais de três mil pessoas durante a celebração. O número cresce a cada ano e sinto que estamos cada vez mais preparados”, conta a coordenadora da cozinha voluntária, Elieth Melo.

 

Frequentadora assídua da Festa de Sant’Ana há mais de 20 anos, sendo 3 deles como coordenadora da cozinha do evento, Elieth destaca que a equipe de cozinheiros já conta com uma excelente estrutura.

Os fogões e equipamentos que compõem a cozinha foram conquistados durante os muitos anos de trabalho voluntário e festividade. Hoje, eles são capazes de abastecer festas com grande alcance de público, como a Feijoada de Inverno. 

E foi ao constatar essa capacidade e pensando em priorizar o projeto de voluntariado que o organizador da Feijoada de Inverno – que acontecerá no dia 30 de junho em Chapada dos Guimarães –, Fernando Baracat, firmou parceria com a cozinha da Festa de Sant’Ana 

“O Fernando Baracat já frequenta a Festa de Sant’Ana há anos, mas no ano passado ele fez o convite para a parceria em 2018. Eu disse para ele que, com a equipe e estrutura que temos hoje, conseguiríamos fazer a Feijoada de Inverno. Assim foi selada a parceria que certamente será de sucesso”, disse. 

Outra novidade da Feijoada de Inverno é que, este ano, o pagamento da mão de obra do buffet será revertido para uma ação social em prol Igreja Nossa Senhora de Sant’Ana. A mesma cozinha desta festa religiosa é utilizada para a festa da irmandade de São Francisco de Assis, e este processo condicionou esses voluntários para assinar a Feijoada de Inverno 2018. 

“A paróquia faz uma festa que envolve toda a comunidade. Cerca de 5 mil pessoas participam da Festa de Sant’Ana e precisavam de uma câmara fria para conservar os alimentos. Vamos doar esta câmara fria”, revelou Baracat. 

Ao contar com a tradicional cozinha da Festa de Sant’Ana, a Feijoada de Inverno firma um compromisso com as tradições locais de Chapada dos Guimarães – cidade que recepciona o grandioso evento há 25 anos. 

Elieth Melo enxerga a oportunidade como uma forma de divulgar o ilustre desempenho da cozinha de Sant’Ana e a tradicionalíssima festa. 

“A cuiabania conhece e sabe da história de Sant’Ana, mas é uma chance de conhecer melhor o nosso trabalho enquanto cozinheiros da festa. A nossa intenção é que as pessoas apreciem e colaborem com as festividades promovidas pela Igreja de Sant’Ana”, disse.   

O objetivo de trazer fortes referências da cultura chapadense é também uma forma de dar visibilidade aos relevantes projetos que já acontecem no município. Como consequência da harmônica parceria, está a troca de experiências entre as equipes – que, diga-se de passagem, são veteranas em festas de grande proporção. 

Acemir Costa, coordenador administrativo da Festa de Sant’Ana, explica que a participação na Feijoada de Inverno dará maior visibilidade à festividade católica. Segundo ele, a cuiabania já está presente na celebração há muitos anos e, na Feijoada, há a expectativa de se conquistar novos festeiros e colaboradores. 

“É importante destacar o alcance que a Feijoada de Inverno tem, afinal, é o nome da Cozinha de Sant’Ana que será divulgado. Já temos um público cativo de mais de três mil fiéis, mas queremos passar a nossa mensagem para outras pessoas”, explicou Acemir que, em 2017, coordenou o evento e recebeu o título de Festeiro de Sant’Anna. 

FEIJOADA DE INVERNO – A 25ª edição da Feijoada de Inverno será realizada no dia 30 de junho (sábado), a partir das 12h, no Cenarium Rural de Chapada dos Guimarães (Parque de Exposições), com o tema “Alma Carioca”. 

As atrações musicais nacionais ficarão por conta da banda mineira Skank, do cantor sertanejo Gustavo Mioto, Gilsinho da Portela, Sandami e a estrela das pick ups, o DJ Fábio Serra. Dentre as atrações regionais, está o grupo Fissura, Samba a Bossa e as Novas de Raul Fortes e o espetacular DJ Lucas Fetter, residente do evento há 4 anos. E ainda terá a presença VIP de do personal influencer David Brasil.

A expectativa de público é de sete mil pessoas de Mato Grosso e dos estados vizinhos. Os ingressos podem ser adquiridos em pontos fixos, na Casa de Festas e no Escritório das promoters Marielle Brandolf e Elga Figueiredo. Há a possibilidade de compra on-line por meio do site da Tech Tickets. 

IGREJA DE SANT’ANA – A igreja leva o nome da mãe da Virgem Maria, da avó de Jesus Cristo e padroeira da população chapadense desde 1779.  

Sua arquitetura é ímpar! A talha dos retábulos é em estilo rococó de um primitivo ingênuo. A Igreja é considerada o último remanescente do barroco no estado do Mato Grosso e conserva, até os nossos dias, o seu aspecto original – embora sem as duas torres de origem. É construção de taipa de pilão e telhado em telha de barro canal e é relativamente grande, pois além da nave e capela mor, existem salas laterais e salas atrás do altar mor. 

As principais características do barroco definem-se como uma reação à simetria e às formas rígidas do Renascimento: utilizam o dinamismo plástico, a suntuosidade e a imponência, reforçados por intensa emotividade conseguida através de sinuosidades, elementos contorcidos e espirais, produzindo diferentes efeitos ilusórios, tanto nas fachadas quanto no desenho das plantas e dos interiores das edificações, como é o caso da igreja de Sant’Ana