Poupança tem saída de R$ 6,59 bilhões em maio, recorde para o mês

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As retiradas de recursos da caderneta de poupança em maio superaram os depósitos em R$ 6,59 bilhões, informou o Banco Central nesta segunda-feira (6). Foi a maior perda de recursos para o mês desde o início da série histórica, em 1995, ou seja, em 22 anos.

No acumulado dos cinco primeiros meses deste ano, as retiradas ficaram R$ 38,88 bilhões acima do volume de depósitos no período. Foi a maior perda registrada para este intervalo. Entre janeiro e maio do ano passado, a saída de recursos havia somado R$ 32,28 bilhões.

A evasão de recursos da mais tradicional modalidade de investimentos do país acontece em meio à recessão, ao aumento do desemprego e da inadimplência. Além disso, outro fator que tem influenciado esse movimento é a baixa rentabilidade da poupança frente a outras opções de investimentos.

Em todo ano passado, R$ 53,36 bilhões deixaram a modalidade de investimentos. Foi a primeira vez em dez anos que mais recursos saíram que entraram da caderneta. Foi também a maior fuga de valores desde o início da série histórica do BC.

Depósitos, saques e saldo

Em maio, os depósitos em caderneta de poupança somaram R$ 160,93 bilhões, ao mesmo tempo em que os saques de recursos totalizaram R$ 167,52 bilhões. Já os rendimentos creditados nas contas dos poupadores somaram R$ 3,96 bilhões no período.

Com a saída de recursos, o volume total aplicado, ou estoque da caderneta, recuou. No fim do mês passado, ele totalizava R$ 637 bilhões – o menor patamar desde julho de 2014. Ao final de abril de 2016, o estoque era de R$ 640 bilhões e, no fim do ano passado, somava R$ 656 bilhões.

Economia e rendimento

O baixo nível de atividade e a recessão da economia brasileira, além de outros fatores que vêm impactando a renda das pessoas como a alta da inflação, dos juros, do desemprego e de tributos, além do elevado endividamento das famílias, explicam o aumento dos saques da poupança.

Outro fator que tem influenciado esse movimento é a baixa rentabilidade da poupança frente a outras modalidades. Enquanto o rendimento dos fundos de renda fixa sobe junto com a Selic, o das cadernetas, quando a taxa de juros está acima de 8,5% ao ano, como atualmente, fica limitado em 6,17% ao ano mais a variação da Taxa Referencial (TR).

Segundo cálculos da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), com os juros básicos atualmente em 14,25% ao ano (o maior nível em nove anos), as aplicações em renda fixa, como os fundos de investimento, ganham mais atratividade porque o rendimento fica acima da poupança na maioria das situações. A poupança continua atrativa somente para fundos com taxas de administração acima de 2,5% ao ano.

No ano passado, a rentabilidade da poupança perdeu para a inflação: foi de 8,15%, enquanto a inflação do período alcaçou 10,67%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Descontada a inflação, portanto, quem manteve recursos na poupança ao longo de 2015 viu a caderneta perder 2,28% do poder aquisitivo, de acordo com a consultoria Economatica. É o pior resultado desde 2002.

Quando a poupança pode ser uma boa opção

Apesar do baixo rendimento, especialistas avaliam que a caderneta de poupança ainda pode ser uma boa opção, mas somente em poucos casos. Por exemplo: para pequenos poupadores (com pouco dinheiro guardado), para pessoas que buscam aplicações de curto prazo (poucos meses) ou que procuram formar um "fundo de reserva" para emergências.

A vantagem da poupança em relação a outros investimento é que não incide Imposto de Renda sobre a aplicação.

Nos fundos de investimento, ou até mesmo no Tesouro Direto (programa do governo de compra de títulos públicos pela internet) há cobrança do IR e, na maior parte dos casos, de taxa de administração. Nos fundos de investimento e no Tesouro Direto, o IR incide com alíquota regressiva, ou seja, quanto mais tempo os recursos ficarem aplicados, menor é o valor da alíquota incidente no resgate.

Menos recursos para casa própria

O menor interesse na poupança também afeta os financiamentos imobiliários, uma vez que a modalidade é fonte de recursos para a casa própria. Pelas regras, os bancos precisam destinar parte dos saldos da poupança (SBPE) para o crédito imobiliário.

Em março deste ano, a Caixa Econômica Federal informou que aumentou os juros para financiar a casa própria com recursos da poupança. Foi a primeira vez no ano que a Caixa subiu os juros para crédito imobiliário. O aumento, informou o banco, foi "decorrente de alinhamento ao atual cenário econômico".